X

Operação no útero salva bebês com doença pulmonar

Cirurgia é indicada só para os casos graves e acontece na 28ª semana de gravidez

Compartilhe:

A-

A+

Um estudo do Departamento de Medicina Fetal do Hospital das Clínicas de São Paulo concluiu que a realização de uma cirurgia intrauterina para tratar um tipo de desenvolvimento incompleto dos pulmões (a chamada hipoplasia pulmonar) aumenta para 50% as chances de sobrevida dos recém-nascidos. Sem a cirurgia, a chance oscila entre 5% e 10%.

O ginecologista Rodrigo Ruano, especialista em medicina fetal, comparou a evolução clínica de 17 bebês operados ainda no útero (no sétimo mês de gestação) com a evolução de 18 bebês tratados após o parto.

Dos operados antes de nascer, nove sobreviveram ao procedimento e sete estão em casa. Entre os tratados após o nascimento, só um sobreviveu.

O problema

A cirurgia é indicada para a hipoplasia pulmonar que acontece por causa de uma malformação congênita chamada hérnia diafragmática. Nesses casos, ocorre um defeito de fechamento do diafragma (músculo que separa o tórax do abdômen) e os órgãos abdominais (intestino, estômago e fígado) entram na cavidade torácica, comprimem os pulmões e impedem o seu crescimento.

O problema provoca dificuldades intensas de respiração e pode levar a criança à morte. É raro -afeta, aproximadamente, um em cada 2.000 a 5.000 nascidos vivos.

O diagnóstico normalmente é feito no quinto mês de gestação, com o ultrassom morfológico. Quando há essa malformação, o coração do bebê normalmente está desviado para o lado. "Quanto mais precoce o diagnóstico, maior a chance de sucesso", diz Ruano.

A cirurgia é indicada só para os casos graves e acontece na 28ª semana de gravidez. Gestante e feto são anestesiados.

É implantado, via tubo endoscópico, um balão de látex na traqueia do feto. O objetivo é bloquear a passagem de ar para que os pulmões cresçam. Assim, quando a criança nasce, segundo Ruano, seus pulmões já estão mais desenvolvidos.

O balão de látex é biodegradável e costuma ser absorvido pelo organismo antes do parto -programado para acontecer com 37 semanas de gestação. Mesmo assim, nesses casos os médicos retiram o balão (caso tenha sobrado algum fragmento) logo após o nascimento.

Ruano explica, entretanto, que essa técnica não trata a doença --que é a abertura do diafragma--, apenas dá condições de a criança nascer e sobreviver para fazer outra cirurgia, que vai fechar o buraco entre o tórax e o abdômen.

Antônio Moron, ginecologista da Unifesp e coordenador de medicina fetal da maternidade Santa Joana, diz que a cirurgia é promissora, mas, por enquanto, deve continuar restrita a hospitais universitários.

"Sem a cirurgia, a evolução do bebê é muito ruim. Com esse procedimento, é possível aumentar a sobrevida desses pacientes e isso é muito positivo", afirma o médico.

VEJA TAMBÉM

ÚLTIMAS

Democratas assumem controle das duas casas do Congresso dos EUA

INTERNACIONAL

Democratas assumem controle das duas casas do Congresso dos EUA

Partido conquistou maioria na Câmara e no Senado; resultado muda a relação entre Legislativo e governo Trump

Polícia Civil apura confusão que deixou dois idosos feridos em aldeia

TAUNAY

Polícia Civil apura confusão que deixou dois idosos feridos em aldeia

Ocorrência mobilizou equipe da PM de Aquidauana; versões sobre o início da discussão são divergentes

Voltar ao topo

Logo O Pantaneiro Rodapé

Rua XV de Agosto, 339 - Bairro Alto - Aquidauana/MS

©2026 O Pantaneiro. Todos os Direitos Reservados.

Layout

Software

2
Entre em nosso grupo