Uma pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) de 2009, feita em escolas públicas e privadas, aponta que 30,8% dos estudantes informaram já ter sofrido bulllying, sendo a maior parte do sexo masculino. Os maiores índices concentram-se em escolas particulares e nas capitais do país. Sensibilizado com a gravidade apontada por esses índices, o vereador Clézio Fialho chamou a sociedade para debater o tema bullying, em audiência pública, realizada na noite de quarta-feira, dia 21, às 19h, no plenário Estevão Alves Corrêa.
O evento foi prestigiado por diversas autoridades, tais como, o juiz Giuliano Máximo Martins, da Vara Criminal, Infância e Juventude de Aquidauana, professora Cândida Cunha, major Marcos, do 7º Batalhão da Polícia Militar, representantes do Poder Executivo de Aquidauana e Anastácio, professores, jornalistas, profissionais liberais, pais e alunos.
Na realização da audiência, os estudantes deram uma prova inconteste que estão atentos e preocupados com os problemas que afligem à sociedade . Eles lotaram o plenário para discutir o tema. Posicionaram de igual para igual com os adultos, não se intimidaram , provaram que estão cientes da gravidade do assunto, apresentaram sugestões e até criticaram a falta de apoio dos poderes públicos. A professora Cândida Cunha abriu a solenidade fazendo uma explanação da situação. Criticou a ausência dos vereadores no evento. ?Nós estamos aqui na casa dos vereadores, viemos aqui para discutir o problema, e os mesmos não compareceram, é lamentável, estou triste com essa postura dos parlamentares?, disse Cândida.
A professora afirmou também que a criança não tem idade para conviver com o bulllying, precisa ser preparada para o enfrentamento. Citou exemplo do que acontece nas escolas, com criança que faz todas as tarefas, tira boas notas, é esforçada e pode ser uma vitima do Bullying. Na audiência foram apresentados dois vídeos mostrando as causas e consequências do Bullying, um dos vídeos foi produzido pelos próprios alunos da Escola Estadual Profª Dóris Mendes Trindade, coordenado pela professora Cândida. O segundo vídeo retratou o Cyberbullying, agressões cometidas através das redes sociais.
O público presente foi convidado a participar com questionamentos e perguntas. Várias propostas e sugestões foram apresentadas, entre elas, a implantação de um conselho municipal anti-bullying e a criação de uma equipe multidisciplinar de apoio à família.
O juiz Giuliano Máximo Martins, da Vara Criminal da Infância e Juventude, disse que existe uma diferença muito clara entre atos de indisciplina, ato infracional , crime e bullying, que são conceitos diferentes. Disse, ainda, que o bullying nem sempre vai acarretar uma responsabilidade penal, e nem sempre o ato infracional cometido vai caracterizar o bullying. Mas o bullying pode caracterizar crime, ato infracional, por isso as pessoas que se sentirem vítima do bullying devem procurar a justiça para denunciar os agressores.
O presidente da Câmara Municipal de Vereadores de Aquidauana, Clézio Fialho (PSL), discursou dizendo que a Câmara é um parlamento, por isso precisa discutir as causas sociais, como estava acontecendo naquele momento". Eu estou muito feliz, de poder estar aqui, outros fatos, outras discussões, serão pautadas por essa casa. A câmara está envolvida com os problemas sociais do nosso município. Da mesma forma que antes de ser presidente criamos a Lei que institui o Dia Municipal de Combate às Drogas.
"Vamos formar uma equipe de funcionários da Câmara para trabalhar no combate às drogas e ao bullying e vamos debater nas escolas, nas igrejas e outras instituições o tema", concluiu o presidente.
Encerrando as discussões, o pastor Ailan Nascimento pediu às pessoas que praticassem o amor, perdoassem ao próximo, como fez Jesus, assim a sociedade se tornará mais fraterna.