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O lugar é cheio de significados. Nas estantes, cristais, imagens de divindades e signos difíceis de explicar a quem entra pela primeira vez. Era dia de festa e o salão estava enfeitado. Na frente, um pequeno altar com imagens, fitas, rendas e velas coloridas.
 
As pessoas em circulo, algumas vestidas de branco e outros com tecidos de cor azul claro. Todos da corrente são filhos de santo. A sacerdotisa Cleonice de Jesus puxa os cânticos e conduz a cerimônia em comemoração a ?Mãe Oxum?, na igreja católica é conhecida como Nossa Senhora do Carmo.
 
Ao som de atabaques os seguidores entoaram cânticos e dançaram para reverenciar a homenageada do dia e saudar os outros orixás e entidades. ?A gente tem que dançar com a natureza para sentir a energia dele, a deusa das águas, a senhora do amor?, disse mãe Cleonice.
 
A reportagem do Site O Pantaneiro foi convidada pela casa para acompanhar a festa "e ver que Umbanda não é macumba", como muitos teimam em simplificar. A visita rendeu algumas imagens e uma sensação de tranquilidade.
 
A comemoração é um pouco estranha para quem nunca teve contato mais de perto com a umbanda, mas muito envolvente. Quando a gente percebe, já está cantando. O local dos trabalhos é de chão batido, visando a importância do contato com o natural.
 
Algumas pessoas da roda receberam os espíritos, imediatamente assumiram as características das entidades, reproduzindo até o modo de se locomover. 
 
As entidades incorporadas pelos médiuns eram os ?caboclos?, que se apresentam como indígenas. São considerados espíritos de índios que já morreram e que viraram guias de luz que voltam a Terra para prestar a caridade ao próximo. Nos terreiros de Umbanda são conhecidos como espíritos com certo grau de evolução.
 
Na casa de mãe Cleonice apresentaram-se altaneiros, dando o seu grito de guerra e gesticulando como se lançassem suas flechas. Seus conselhos visavam melhorar o ânimo dos mais necessitados.
 
Utilizaram-se de charutos para provocar a descarga espiritual de seu médium e também do seu consulente. Alguns assoviavam, outros bradavam no ato da incorporação. Bastante sérios nos seus conselhos, são considerados, portanto, grandes trabalhadores dos terreiros.
 
?Umbanda é fé, amor e caridade?, pontua a dona da casa. Um ótimo convite para quem está disposto a deixar qualquer preconceito de lado e admirar a fé dos seguidores.

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