Apelidada até de "buracoré" por moradores e comerciantes, a avenida Tamandaré, localizada na região norte de Campo Grande, tem inúmeros buracos em sua extensão. Mas um deles, próximo ao cruzamento com a rua do Seminário, ganhou uma atenção especial: um empresário de 40 anos colocou cadeiras e até uma vara de pescar após presenciar a queda de duas motociclistas no último fim de semana. Na ocasião, uma delas chegou a desmaiar.
"Eu trabalho com a venda de frango assado e domingo é um dia de bastante movimento. Neste dia, por volta das 10h, uma jovem de 23 anos, que estava como garupa de um motociclista, caiu ao passar pelo buraco. O marido dela saiu gritando, pedindo a nossa ajuda e ela foi socorrida. O serviço aqui continuou e, por volta das 20h30, um novo acidente", afirmou ao G1 o empresário de 40 anos.
O comerciante estava preparando refeições para entrega quando outra mulher ficou ferida. "Estava escuro, lembro que ela pilotava uma bis. A mulher estava sentido centro, quando caiu e chegou a desmaiar. Aí eu decidi sinalizar o local com cadeiras, para ficar visível e não presenciarmos mais quedas. Aqui é um local de acesso para a faculdade e este tipo de coisa não pode continuar acontecendo", comentou o empresário.
Com uma loja de material de construção próximo ao buraco, o empresário José Hélio da Silva, de 59 anos, ressaltou que a "corrupção e o desvio de verba" ficam estampados e que a avenida ganhou, na vizinhança, o apelido de "buracoré".
"Parece que não, mas esta quantidade de buracos por aqui atrapalha em tudo. As pessoas procuram rotas alternativas, não passam por aqui e com isso o movimento caiu cerca de 15%", lamentou o empresário.
Nesta quinta-feira (19), ele disse que os poucos clientes que estiveram no local fizeram reclamações. "Eles falam que precisam cuidar os buracos o tempo todo e com isso nós perdemos venda. Aqui funciona há três anos, mas nunca ouvi tantas pessoas falando que estão cansadas de corrupção e desvio de verba", explicou Silva.
Com a diminuição do movimento, o empresário Estevão Costa de Carvalho, de 35 anos, já cogita procurar um emprego e deixar o comércio apenas com o pai.
"Mesmo com tantos buracos, as pessoas não estão buscando tanto os nossos serviços de reparos em motocicletas. Essa semana mesmo um cliente veio aqui e a queda no buraco foi tão forte, mas tão forte, que entortou as duas rodas da moto. Ela desistiu e diz que prefere até andar a pé", comentou Carvalho.
Sobre o movimento, ele ressalta que caiu, no mínimo, 80%. "Até pouco tempo faturava R$ 1 mil por dia, com bastante serviço. Mas hoje, por exemplo, recebi somente R$ 100. Já estou pensando em deixar o negócio um tempo com o meu pai e procurar outro emprego, para ir mantendo as despesas. Só assim para não "fechar as portas" e aguentar buracos e esta crise", falou o empresário.
Operação
Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, o ?Plano de Recuperação das Ruas de Campo Grande" já está sendo realizado desde o dia 11 de novembro. Recentemente, ainda conforme a assessoria, o prefeito Alcides Bernal retomou os contratos com sete empresas e desenvolve uma força tarefa em diferentes regiões da cidade.
Durante o lançamento do projeto, a prefeitura informou que seriam priorizadas as vias de maior fluxo de trânsito, como a avenida Mascarenhas de Moraes, Coronel Antonino, Cônsul Assaf Trad, Euler de Azevedo, Costa e Silva, além de ruas como a Manoel da Costa Lima, Panambivera com Souto Maior, entre outras. Aos finais de semana, a prioridade será as ruas centrais da cidade. Ao todo serão investidos R$ 6 milhões em recursos próprios, para os próximos 90 dias.