Cinquenta anos assinala o tempo de vida de muita gente. Chegar neles, com todas as dificuldades impostas pela vida, já é uma conquista. Mas, contabilizar cinquenta anos de serviços prestados a comunidade, não é para qualquer um, especialmente quando o foco deste serviço é orientar pessoas em suas lutas e angústias. Pois esta marca foi alcançada no final de semana pelo Padre Francisco Cáceres, vigário da Paróquia Nossa Senhora Imaculada Conceição, de Aquidauana.
Para celebrar a conquista, Santa Missa de Ação de Graças aconteceu neste sábado, 13, às 19h30 horas. ?Foi um desses momentos mágicos, que a fé se materializa em histórias maravilhosas como a do Padre Francisco. Estou emocionada?, disse uma das fieis, ao término do ato que contou com a presença de várias lideranças religiosas da Congregação do Santíssimo Redentor, da Província de Campo Grande, a qual a Paróquia está subordinada.
Como o trabalho missionário de homens como Francisco se dá no dia a dia da comunidade, muitos que a representam em instancias de decisões, como o poder legislativo, compareceram para abraça-lo. º O Pantaneiro registrou aos presenças do deputado Estadual Felipe Orro e dos vereadores Mauro do Atlântico e Moacir Pereira. O 9º BEC também se fez representar, na pessoa do Capitão Ávila. Nas interações naturais do pós missa, nada de política ou prosa de caserna. Eles estavam ali para demonstrar gratidão a um homem que tem dedicado à sua vida a obra do evangelho, especialmente em sua expressão mais prática, a caridade. Valeu, Padre Francisco!
Após a missa, foi preparado um delicioso jantar à moda pantaneira pela comitiva JL, no salão paroquial, com arroz carreteiro, macarrão tropeiro e feijão, com direito a trempe, bruacas e esperientes cozinheiros.
Padre Chico, como é carinhosamente conhecido, ficou muito feliz com a presença da comunidade.
Homenagem ao Pe. Chico
Francisco é seu nome
Paulo e Lúcia Oliveira
É interessante como, na atualidade, nos preocupamos com a denominação de um empreendimento, quer comercial, social ou político.
Realmente, no campo comercial, o nome, a marca registrada, vai ser a alma do negócio. Ela pode sugerir ao consumidor aquilo que ele deseja, ou provocar-lhe o nascer de uma necessidade.
No campo político, o que vemos é o marqueteiro nadando às braçadas. Dele depende uma direção, uma luz, talvez uma frase, que traduza e sintetize o querer coletivo.
Até o ser humano necessita de um nome bem escolhido, harmonioso e sonoro.
O belo nome pode lhe facilitar o sucesso eventualmente artístico ou profissional.
Quando os futuros pais se debruçam sobre os nomes possíveis para os filhos, sabem que estão incorporando àquele ser humano uma denominação para a vida inteira. Sabem que seu caráter e sua auto-estima vão estar ligadas intimamente à sua denominação de registro.
Quantos casos conhecemos de pessoas desajustadas com seu nome de batismo que procuram no apelido uma forma de amenizar seus sentimentos. Ao lado de outras que se sentem valorizadas pela sua denominação ou seu sobrenome. Nesse caso, o nome passa a ser uma das motivações para seu alto-astral.
O simples anunciar do nome Francisco, vai nos reportar para um dos santos mais querido mundialmente pelo catolicismo: São Francisco de Assis. O santo que amava todas as criaturas de Deus, desde o irmão Sol e a irmã Lua, e que se despojou de tudo: riquezas, ambições, orgulho e até da sua própria roupa para servir a Deus.
Pois bem, quando perguntaram ao recém eleito papa, Cardeal Jorge Bergoglio, que nome escolheria para si mesmo, ele disse: Francisco.
Nesse nome estava simbolizado seu desejo, e da igreja, de reagir aos escândalos da atualidade, e principalmente de valorizar a simplicidade, quebrar protocolos inócuos, e apresentar ao mundo uma igreja amante e protetora dos mais pobres, dos mais fracos e dos mais pequeninos.
Com o nome Francisco, o papa demonstrou onde estava o seu ideal de líder religioso.
Queremos falar agora de um líder religioso de Aquidauana, cidade do interior de Mato Grosso do Sul. Seu nome também é Francisco. Pertence à Congregação dos Padres Redentoristas. Está em Aquidauana desde 4 de janeiro de 2000. É nosso padre veterano. Está conosco há dezesseis anos. E isso é motivo de alegria para a comunidade. E, neste ano de 2016, comemora cinqüenta anos de vida religiosa. Faz jus ao nome que carrega consigo, pois tem como virtudes: a humildade, a simplicidade, o amor a Deus que transparece na tolerância e no amor ao próximo.
Padre Francisco, além de tudo, tornou-se ainda mais íntimo e receptivo, pois virou: Padre Chico. Seu sorriso, sua bondade, sua fala mansa a todos cativa.
Nada de grandes arroubos oratórios, nem efusivos gestos de expressão de alegria. Tudo na sua maior naturalidade e comedimento. Ele se permite, quanto muito, introduzir no ritual da missa uma ?Ave Maria? em honra de sua mãe Maria.
Preside a ?Legião de Maria?, constituída na sua maioria por fiéis senhoras idosas.
?Vocês rezam demais?, diz Padre Chico com naturalidade, mas reprimindo o excesso, às vezes, das legionárias. É como se dissesse: ?Maria não exige tanto de vocês. Sabe das visitas semanais aos doentes, nos lares e nos hospitais, que vocês já fazem constantemente. Moderação, Irmãs Legionárias!?.
Ele nunca se nega a fazer visitas sacerdotais sempre que é solicitado. Com o sorriso de sempre.
Uma horta, no fundo da Casa Paroquial, lhe rendeu bons motivos de prazer em servir ao próximo.
Queremos, nestes dezesseis anos de atendimento à Comunidade de Aquidauana, e cinqüenta de vida religiosa, lhe render esta singela homenagem.
Com o Padre Chico ficamos sempre numa dúvida eterna: ou seu nome agregou suas virtudes, ou, suas virtudes se realçaram por motivo de seu próprio nome. Quem saberá dizer?