A morte do índio Oziel Gabriel, ocorrida no dia 30 de maio de 2013, durante uma ação de reintegração de posse de duas fazendas localizadas na cidade de Sidrolândia, Mato Grosso do Sul, a cerca de 60 quilômetros de Campo Grande, com repercussão no mundo todo, poderia ter sido evitada pelo CIMI, Conselho Indigenista Missionário, órgão indigenista ligado à igreja católica. Na ocasião outros três índios ficaram feridos.
Em depoimento nesta quarta feira, 02, na Comissão Parlamentar de Inquérito da Assembleia Legislativa que investiga a atuação do Conselho Indigenista Missionário em Mato Grosso do Sul, o delegado de Policia Federal Marcelo Alexandrino Oliveira, que participou da reintegração de posse da Fazenda Buriti, destacou que Flávio Machado, a irmã Joana Ortiz e o jornalista Rui Marques de Oliveiras, conhecido como Rui Sposati, todos integrantes do CIMI, incentivaram o descumprimento da ordem judicial de desocupação da área, incitando os indígenas a permanecerem na área.
"Se há uma ordem judicial e você resiste, se recusa, isto é crime, crime de resistência?, disse o delegado, destacando que nos autos fica bem claro que os integrantes do CIMI que acompanharam o momento tenso vivenciado na área, quando os policiais federais e militares chegaram para cumprir a ordem judicial de reintegração e retirar os índios, instigaram os índios da etnia terena. Há inclusive um áudio gravado, no qual Flavio Machado, coordenador regional do órgão, parabeniza os indígenas que resistiram. Por outro lado, entre o material periciado pertencente ao jornalista Rui Sposati, que é assessor de comunicação do CIMI, foi encontrado um manual de fabricação de bombas e armas caseiras.
Para o delegado, se o CIMI tivesse agido diferente, orientando os índios a respeitarem a lei, a morte de Oziel poderia ter sido evitada. ?Eles efetivamente incitaram os índios para que não saíssem de forma pacífica. Esta ação teria evitado o uso de força na reintegração de posse e inclusive a morte do Oziel?, declarou. Ao final de seu depoimento destacou que o trabalho da Policia Federal é de proteger os indígenas, mas o incitamento promovido por integrantes da instituição religiosa gerou um quadro perigoso, que precisava ser reprimido.