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Feijoada da Solidariedade será em benefício do Lar Betânia de Aquidauana

Desde 2009 um trabalho terapêutico com dependentes químicos

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Nascido em Anastácio, descendente de uma família evangélica, conhecida e respeitada, o médico e pastor Gideão Cabral da Igreja Missionária de Anastácio é o responsável pelo Lar Betânia, instalado no distrito de Camisão de Aquidauana. Nesta semana ele concedeu entrevista exclusiva ao jornal-site O PANTANEIRO quanto ao trabalho que realiza nesse centro de recuperação de dependentes químicos assim como a realização nesta semana da Feijoada da Solidariedade em benefício a essa entidade.

O Pastor Gideão começou a falar da iniciativa em criar o Lar Betânia, haja vista que desde a sua formação médica era desejo seu trabalhar com dependência química.

No começo teve um trabalho em Campo Grande com o Esquadrão da Vida, entidade com mais de 15 anos de serviços. Também com os Parceiros da Vida e em seguida a fundação da Associação Bom Samaritano que é a mantenedora do Lar Betânia ?  uma instituição instalada em Aquidauana com mais de dois anos de trabalhos.

Desde a implantação essa entidade vive com dificuldades notadamente com a situação financeira pois sempre faltam recursos.

O Lar Betânia, é um modelo de comunidade terapêutica que recebe, alberga o paciente e trabalha a parte espiritual com oração, ensino bíblico e terapia mudando a conduta do paciente com uma nova ordem de vida. ?Basicamente essa é a visão das comunidades terapêuticas? concluiu o pastor Gideão.  


Atualmente estão albergados 26 pacientes embora as dependências tenham capacidade para receber 45 albergados. As dificuldades financeiras permitem que só receba, atualmente, os 26 que lá estão.

O Pastor Gideão diz que não há preconceito com a comunidade de  Camisão e a  convivência é normal. Os internos não transitam em Camisão.

O La Betânia conta com um veículo de quando algum interno desiste ele é trazido para Aquidauana ? não fica em Camisão. ?Eles ficam na clínica ou quando desistem são trazidos para Aquidauana.?

No Lar Betânia estão albergados pacientes não só de Aquidauana e Anastácio mas também de Dois Irmãos, Nioaque, Bodoquena, Miranda, Jardim, Guia Lopes da Laguna, enfim de toda a região inclusive Campo Grande.

O Pastor Gideão diz que o cálculo é de R$ 1.000,00 por pessoa ? comendo, bebendo, dormindo, pois consomem energia, agua, ficam finais de semana no lar. Havia uma promessa da Prefeitura de Aquidauana mas não se consolidou. ?O único convênio que temos, desde o começo do ano, é com a Prefeitura de Anastácio com R$ 4 mil reais mensalmente, que aliás está atrasado?, afirmou.

Temos promessas também de um convênio estadual, disse o pastor Gideão. A entidade está totalmente legalizada para firmar convênios pois é considerada de utilidade pública municipal e com processo em andamento a nível estadual.

Para o Pastor Gideão o tratamento de a dependência química não é uma responsabilidade do município, ?mas de todos nós como igreja ? é a responsabilidade de todos, mas a contrapartida do poder público é necessária?.

Disse ainda que tem um débito de R$ 9.000,00 com a SANESUL. Por isso a arrecadação da Feijoada é importante ? ?vem para dar um alívio, mas a nossa expectativa mesmo é que precisamos firmar um convênio que vai regularmente nos ajudar para manter o trabalho com toda sua manutenção. Isso tudo porque mais de 80%  dos profissionais que lá trabalham são voluntário.

À noite os internos têm suporte dos monitores e dos pastores com diversos eventos. ?Para dormir eles têm dois coordenadores, inclusive um deles foi recuperado e está livre da doença. Ele é coordenador da clínica, mora e vive lá?, disse.

Explicou que coordenadores e monitores são levantados entre os dependentes, que concluíram o período de tratamento ? 5 ou 6 meses. ?Eles têm um dom, um talento, um jeito para trabalhar, e conhecem o dia a dia na clínica assim como as necessidades. O coordenador e os monitores moram na chácara e também são monitorados por câmeras

Além disso esclareceu o pastor ? ?temos um carnê onde as pessoas voluntariamente ajudam com R$ 10,00 ou R$ 20,00 reais e no final do mês arrecadamos em torno de R$ 1.500,00 a R$ 2.000,00 reais.

A importância da imprensa não é só chamar a atenção dos governantes, do poder público quanto ao problema mas estimular as pessoas para essa ajuda da campanha principalmente do carnê?.

História do tratamento

Sobre o tratamento, o Pastor Gideão disse que visa abranger todas as possiblidades terapêuticas em relação ao enfrentamento da droga. É tudo muito arcaico ? as estratégias do tratamento, em 1935, começaram com os 12 passos que foi o primeiro grupo de alto ajuda por enfrentamento não só do álcool ? o AA. Em 1940, o Programa de Minessota que pegou os 12 passos e somou a idéia da equipe multidisciplinar surgindo um enfrentamento não só de auto ajuda, também o médico, o psicólogo, o enfermeiro chegando afinal à comunidade terapêutica. Ela se originou nos seios das igrejas católicas e evangélicas. Havia um distanciamento entre a terapia do psiquiatra, do psicólogo e das comunidades e até um certo preconceito. Para o SUS, na cartela, sobre o crack existe a informação e que as comunidades terapêuticas são um muitas ineficientes e requerem comprovação científica.

Contudo, de cada 10 dependentes químicos que se recuperam, nove deles vão dizer: ?eu me recuperei quando tive um encontro com Jesus.?

Isso dá às comunidades terapêuticas uma credibilidade ? ?os que se recuperam dizem que foi Jesus. Então pegamos o psicólogo, o médico, o pastor com todas terapias possíveis e colocamos em um só lugar. Essa é a ideia do Lar Betânia. Nós trabalhos com terapia cognitiva?, informou o pastor Gideão.

A Dra. Aline Cauneto é a psicóloga e diretora da instituição. Ela trabalha com terapia cógnita; eu trabalho com terapia comportamental que é a motivação e um manejo de contingência que é um protocolo novo que surgiu em 2004. O manejo de contingência eu uso ele trabalho aqueles aspectos negativos que afetam o albergado.

A terapia de contingência procura saber o fator que leva à droga. Não se pode simplesmente acusar a pessoa de beberrão, de fumar maconha ou usar crack. É preciso entender o que está por trás dessa situação. Esse é o protocolo da terapia comportamental.

Outra terapia lida com a mente. A Dra. Aline trabalha com cognição e ainda outros pastores trabalham com a parte espiritual. Não é da Igreja; a igreja não tem ligação; a igreja Missionária que eu sou pastor é a igreja que mais apoia o Lar Betânia que não é uma instituição religiosa. Várias outras igrejas ajudam, como a igreja católica e grupos espíritas inclusive?. O Lar Bethânia não é de uma igreja, é de uma comunidade. ?Não temos nenhum vínculo com a associação das igrejas; não é uma instituição de uma igreja ou de uma religião ? nós temos grupos de todas as religiões nos ajudando e a gente entende que a luta não é minha mas é de todos nós. Essa é nossa missão como instituição?, asseverou o pastor gideão.

Ele explicou ainda que a droga tem desencadeamento algumas doenças, como por exemplo a esquizofrenia, transtorno bipolar ? é um gatilho para que isso ocorra. A grande área lesada da droga é o sistema nervoso central, a cognição, o aprendizado ? tudo isso fica lesado pelo uso da droga?, esclareceu.

Sobre a busca de recursos financeiros, o pastor gideão disse que receberam duas emendas parlamentar ? uma primeira para comprar um veículo (Van) para transportar os internos -  foram R$ 40.00,00 do Deputado Zé Teixeira; R$ 30.000,00 do deputado Beto Pereira e 30.000 do Deputado Professor Rinaldo, totalizando R$ 100.000,00.

Recebemos R$ 20.000,00 do Deputado Felipe Orro para comprar material permanente ? computador.

Ao final o pastor esclareceu que era necessário o Governo do Estado definir um valor. Os internos têm necessidade de prescrição médica, eles tomam medicamentos e necessitam de visita médica. O hospital de Anastácio recebe R$ 200.000,00 por mês. Para nós precisaríamos de pelo menos R$ 20.000,00 e com isso permitir mais gente internada. Com os mesmos R$ 10.000,00 mil faríamos compra no frigorífico de carne picada. ?A gente não consegue dar a manutenção para os internos porque não temos recurso e na alimentação, por exemplo, falta variedade como frango?.

Ao final o pastor Gideão afirmou que não ?tem nenhum fazendeiro que possa dar uma novilha por mês; falta mobilização e acho que essa mobilização é importante?.

Como se pode denotar com esta entrevista com o médico-pastor Gideão,  a Feijoada da Solidariedade, a se realizar neste sábado ? dia 2, no Restaurante Vitória, iniciativa do deputado Felipe Orro, de sua esposa ? a médica Viviane Orro e de colaboradores, não resolverá a situação do La Betânia mas certamente virá trazer um alívio para que sejam quitados compromissos financeiros.

Contudo, virá também trazer à tona a importância dessa clínica de tratamento de dependentes químicos instalada no distrito de Camisão, em Aquidauana.
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