ANASTÁCIO
Ginecologista que prestava atendimento em Aquidauana explicou que o projeto nasceu da observação clínica, já que diversas pacientes relatavam o uso tradicional do chá da casca do barbatimão em banhos de assento e na higiene íntima feminina.
O conhecimento popular das comunidades do Cerrado e Pantanal tem servido de base para importantes avanços científicos. Durante o dia de campo do Projeto de Extensão: Capacitação dos Agricultores Familiares no Extrativismo Sustentável do Barbatimão para Fins Industriais, realizado no Assentamento Monjolinho, a médica ginecologista e pesquisadora Ana Helena Mattos, que prestava atendimentos em Aquidauana, explicou como a experiência das agricultoras inspirou uma pesquisa que hoje resulta em produtos desenvolvidos para a saúde.
Segundo a médica, o projeto nasceu da observação clínica. Em seu consultório, diversas pacientes relatavam o uso tradicional do chá da casca do barbatimão em banhos de assento e na higiene íntima feminina, prática transmitida entre gerações pelas comunidades rurais. "A observação das pacientes mostrou que havia um conhecimento tradicional muito consistente. Nosso desafio foi transformar esse saber em algo cientificamente comprovado", explicou.

A partir desse conhecimento, Ana Helena iniciou estudos sobre a composição química da planta e identificou substâncias presentes na casca do barbatimão com potencial para proteger, recuperar e auxiliar na prevenção de alterações na saúde íntima feminina.
O trabalho, desenvolvido em parceria com universidades e a indústria, permitiu a criação de um produto que reúne ciência e tradição, utilizando o extrato obtido da casca do barbatimão coletada de forma sustentável pelas agricultoras do Assentamento Monjolinho.
Para a pesquisadora, um dos maiores diferenciais do projeto é reconhecer o papel das comunidades tradicionais na construção do conhecimento científico. "Elas me ensinaram como a medicina tradicional utilizava essa planta. Eu trouxe esse conhecimento para o campo da ciência e, juntos, conseguimos desenvolver uma tecnologia que beneficia toda a cadeia produtiva", afirmou.
Além da aplicação na ginecologia, Ana Helena destacou que o barbatimão possui propriedades cicatrizantes e anti-inflamatórias, ampliando suas possibilidades de uso. Atualmente, novas pesquisas também vêm sendo desenvolvidas para a medicina veterinária, especialmente no tratamento de dermatites e lesões em animais.

Segundo a médica, cresce entre consumidores e profissionais de saúde a busca por produtos naturais produzidos de forma sustentável e com responsabilidade socioambiental. Nesse contexto, iniciativas que valorizam o conhecimento tradicional e garantem retorno econômico às comunidades tornam-se cada vez mais relevantes. "O consumidor quer saber de onde vem o produto, como ele foi produzido e quem participou desse processo. Valorizar a comunidade que preserva esse conhecimento faz toda a diferença", concluiu.
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