Mato Grosso do Sul perdeu, nesta sexta feira, uma figura política ilustre. José Manoel Fontanillas Fragelli foi governador do antigo Estado de Mato Grosso e senador da república. Ele teve a honra de ocupar, temporariamente, a função de presidente da República.
Em seu livro “Aquidauana: a baioneta, a toga e a utopia nos entremeios de uma pretensa revolução” o professor Eudes Fernando Leite, da UFGD, destaca um momento inusitado da vida de Fragelli, que viveu grande parte de sua vida na Princesa do Sul.
Lembra que embora tivesse amplas e sólidas ligações com a oligarquia aquidauanense, Fragelli, quando advogado, foi chamado a fazer a defesa do único comunista assumido nos acontecimentos de 1964, o professor Ênio Cabral.
Referindo-se à defesa prévia do acusado, o autor destaca: “Com certa sutileza, mas com segurança, (Fragelli) avançou sobre a arbitrariedade”. Na sua defesa o então advogado observou que não competia à autoridade militar processar inquérito policial para apuração da responsabilidade do acusado.
No livro, publicado pela Editora da UFGD, o professor e escritor lembra que alguns componentes da esquerda, concentrada em poucos elementos (pescadores, ferroviários e professores), sofreram torturas de diversas formas na unidade militar de Aquidauana. Entre eles, Ênio Cabral, defendido por Fragelli.