O grupo de índios da etnia kadiwéu, que invadiu a Fazenda Santa Clara, a 65 quilômetros de Bonito, no último dia 12 de março, permanece no local. Eles reivindicam a devolução da área de 800 hectares, alegando que ela sempre foi considerada território indígena.
O dono da fazenda é o aquidauanense Nilton Pereira Vargas. Em 2003, através de uma liminar judicial, Nilton obteve a posse temporária da área. De acordo com essa liminar, o local nunca foi considerado uma área indígena, o que assegurou a posse ao aquidauanense, até que o STF (Supremo Tribunal Federal) julgue o mérito da questão.
No entanto, o STF ainda não julgou a questão. Diante da demora, os índios invadiram o local e disseram que só irão sair quando o assunto se tornar pauta no Supremo, apesar da decisão judicial que mantém a posse para os donos da fazenda.
De acordo com novas informações repassadas por Marina Kroll, neta de Nilton, a Polícia Federal foi acionada desde a última quarta-feira (16), mas ainda não tomou providências para resolver a situação. "A polícia alega que só agirá com a operação de retomada de posse após determinação judicial, mas essa determinação já existe. Ou seja, a liminar vem sendo descumprida", reclama ela.
A família de Nilton já ingressou com uma ação cautelar, com o objetivo de conseguir essa nova determinação judicial.
Conforme o
site O Pantaneiro informou na última quarta-feira, o chefe do núcleo local da Funai (Fundação Nacional do Índio), Lourival Matchua, esteve na Fazenda Santa Clara e conversou com os índios. Ele disse que a saída do grupo irá depender da decisão judicial.
A reportagem segue acompanhando o caso.