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Aquidauana

Com 61 anos, aquidauanense prova que não há idade para praticar corrida

Morando em Caxias do Sul, atleta conquista prêmios e reforça o amor pela terra natal

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Nascido e criado em Aquidauana, município localizado numa das regiões mais bonitas do Pantanal, a 138 quilômetros de Campo Grande, ele fala com orgulho das suas origens. Mudou-se para Caxias do Sul (RS), na Serra Gaúcha, onde mora há 14 anos, mas nunca abandonou os hábitos de um típico pantaneiro. Entretanto, foi no Sul que ele adquiriu um hábito que ainda não tinha quando morava em terras sul-mato-grossenses: a corrida
 
Carlos Augusto Leite de Oliveira, ou simplesmente Carlinhos, não é o tipo de pessoa que esconde a idade. Fala com orgulho dos seus "quase 62 anos", sendo 10 dedicados à corrida. Desde que morava em Aquidauana, sempre gostou de futebol e chegou a disputar muitos campeonatos no famoso campo do Baixadão, local onde muitos craques deram seus primeiros chutes na Princesa do Sul. Chegou até a ser candidato a vereador e, apesar de não ter investido em sua campanha, obteve uma votação expressiva - embora insuficiente para que fosse eleito.
 
No início do ano 2000, após finalizar um curso de instrutor, surgiu a oportunidade de ele se mudar para Caxias do Sul. Em meio ao frio da cidade gaúcha, conhecida por suas fortes neblinas, resolveu aderir à prática das corridas de rua em 2004, com a orientação de um amigo e instrutor de academia. Não sem antes passar por uma série de avaliações médicas, como faz questão de ressaltar.
 
"Eu comecei com corridas de dois, até três quilômetros, respeitando os limites do meu corpo. Sempre tive uma resistência muito boa e, aos poucos, fui procurando evoluir para poder participar de competições locais. Ao mesmo tempo, procurava aprender a importância de fazer uma alimentação correta, do período de descanso e outras orientações importantes", lembra Carlinhos.
 
A conquista do primeiro troféu, em 2006, foi um divisor de águas para o aquidauanense perceber que estava no caminho certo. Desde então, ele começou a participar de outras competições e não parou mais. Engana-se, porém, quem relaciona a conquista dos prêmios como o maior incentivo para Carlinhos continuar correndo. É a oportunidade de se superar e bater os próprios recordes, somada à percepção da importância do esporte para a saúde, que o deixa sempre animado para aceitar novos desafios.
 
Os troféus, então, acabam chegando como consequência. Uma das conquistas mais memoráveis veio em 2012, quando ele levou a medalha de ouro da sua categoria na Super Maratona 50 Km do Rio Grande, realizada na Praia do Cassino, completando o percurso em 4 horas e 19 minutos. "Apesar de ter corrido 50 quilômetros, eu terminei a prova me sentindo muito bem, graças aos exercícios feitos de maneira adequada. Foi difícil, mas eu corri muito focado, procurando manter o nível de concentração alto. Nada me fará esquecer a sensação de alegria que tive na hora da chegada".
 
Carlinhos ainda ficou em primeiro lugar na categoria até 60 anos da Meia Maratona de Passo Fundo, onde também conseguiu o incrível feito de terminar na quinta colocação geral. Segundo ele, essa é uma prova mais desgastante do que a Super Maratona, por ter uma distância menor e exigir mais esforço dos atletas.
 
Coração aquidauanense
 
Durante suas corridas por terras gaúchas, seja treinando ou em competições oficiais, Carlinhos afirma que é um orgulho poder representar a cidade de Aquidauana e levar com ele o sentimento de amor pela terra natal. Acompanhado pela esposa e pelos seus quatro filhos, ele visita a Princesa do Sul com frequência e tem irmãs e primas morando na cidade.
 
Em tempo, o apoio da família vem desde que o aquidauanense passou a se dedicar regularmente ao esporte. "Sempre recebi força dos meus familiares, a esposa e os filhos torcem por mim e comparecem às provas. Para eles, é um orgulho poder contar aos amigos que o pai é um atleta, e isso acaba incentivando muita gente a praticar esporte. Eu devo agradecer muito a Deus, a meus familiares e amigos, por tudo que consegui até hoje".
 
Para quem está começando, a dica do atleta é manter a organização e saber conciliar os horários de trabalho, de treino e os momentos com a família. Na opinião de Carlinhos, reclamar da falta de tempo não é desculpa para deixar de praticar o esporte. Para ele, todos podem atingir um bom nível de corrida, basta se preparar de forma adequada e ter um horário sagrado de treinamento.
 
"Antigamente, logo que comecei a correr, era comum eu ficar observando os atletas de alto nível e me questionar se poderia atingir o nível deles. Eu era um iniciante, a maioria dos competidores era formada por veteranos. O tempo acaba se encarregando de mostrar que não podemos duvidar da nossa capacidade, basta ser uma pessoa regrada, fazer os exames médicos necessários, tomar cuidado para evitar lesões. Qualquer idade é ótima para se exercitar, seja uma corrida, uma caminhada ou qualquer outro tipo de atividade física".
 
Pode melhorar!
 
Para Carlinhos, visitar Aquidauana é sempre motivo de satisfação. Quando está na cidade, juntamente com o amigo Alcione Elias de Oliveira, ele mantém a rotina regrada e sempre encontra tempo para praticar suas corridas. Apesar de elogiar a Princesa do Sul, ele diz que a cidade tem condições de ser ainda melhor.
 
"O melhor progresso que uma cidade pode alcançar é através da saúde da sua população. Mas, para isso, não basta apenas que as pessoas pratiquem exercício físico, é preciso que elas tenham a estrutura adequada para tal", observa.
 
Abandonar mentalidade derrotista, segundo ele próprio define, é o primeiro passo para que Aquidauana possa progredir ainda mais, deixando os interesses individuais de lado, em prol do coletivo.
 
E, em meio à correria, literalmente, do dia a dia, Carlinhos faz seus planos para melhorar a cidade natal. O atleta estuda um projeto para juntar pessoas interessadas em montar um Museu do Esporte, criando um espaço de valorização para os aquidauanenses e anastacianos que se destacam mundo afora.
 
Enquanto isso não acontece, ele segue representando a cidade que tanto ama e a tornando notícia por algo positivo, algo cada vez mais raro nos últimos tempos. Correndo porque realmente gosta, e não por prêmios ou dinheiro, Carlinhos reforça a lição de que não existe idade para praticar esporte, basta ter dedicação e contar com o apoio das pessoas que ama.

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