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Aquidauana

Dupla aquidauanense conclui quinta expedição e fecha o mapa sul-americano

Mac e Índio completaram passagens por todos os países da América do Sul. Nova aventura da dupla teve 9.200 quilômetros percorridos.

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Foi um período de quase um mês que significou não somente mais uma expedição completada com sucesso pela dupla de aquidauanenses Archibald Mac Intyre, o Mac, e Wilson Alves Corrêa, o Índio. A quinta aventura dos companheiros de viagem também marcou um ciclo de passagens por todos os países da América do Sul, de um extremo a outro, levando a bandeira de Aquidauana para lugares históricos e tornando a cidade pantaneira referência positivamente.
 
Desta vez, os aventureiros percorreram cerca de 9.200 quilômetros em quatro países, passando por Brasil, Guiana, Suriname e Guiana Francesa. Eles saíram de Aquidauana no dia 08 de janeiro e chegaram no início desta semana, junto com fevereiro, numa jornada bastante cansativa, mas, ao mesmo tempo, proveitosa e única. Não faltaram, claro, as histórias curiosas a bordo do já famoso Jeep/Troller, de cor vermelha, com bandeiras de todos as nações visitadas.
 
O trajeto até o limite de Mato Grosso foi tranquilo, mas ficou mais complicado após a entrada no Pará, devido às estradas escorregadias e às inúmeras carretas que encontraram pelo caminho. Somando com a quantidade de buracos e lama, acabaram levando mais de oito horas para percorrer um trecho de 320 quilômetros. Eles chegaram ao município de Santarém (PA), onde conheceram o ponto alto do turismo na região, a Praia Alter do Chão, e dormiram no ferry boat, que partiu na manhã seguinte. No total, foram três noites e dois dias na embarcação até Manaus (AM), passando rapidamente por Parintins (AM), para descarregar os alimentos.
 
"A cidade [Parintins] não tem acesso por terra, somente por água. No Ferry Boat tinha mais de 800 pessoas, todas dormindo em rede, uma loucura, pois as redes ficam apenas meio metro uma da outra", diz Mac. A chegada à capital amazonense foi tranquila, e a dupla seguiu rapidamente para Boa Vista (RR), onde preparou a documentação junto ao consulado da Guiana.
 
Guianas
 
Com pleno conhecimento do panorama da América do Sul, a dupla encontrou um cenário totalmente diferente na Guiana, no Suriname e na Guiana Francesa. Ao contrário de outros países sul-americanos, estes três não foram colonizados por portugueses e espanhóis. São dois países e um departamento, já que a Guiana Francesa ainda pertence à França. ?Há uma miscigenação muito grande nesses países, apesar de haver o predomínio da raça negra, por causa da escravidão. Vemos muitos ingleses, holandeses, além de outros povos europeus?, constata Mac.
 
Se viajar é acumular novas culturas, o que não faltou foram surpresas no caminho dos aquidauanenses. A maior parte da região das Guianas é mata virgem, com estradas precárias e centros urbanos quase inexistentes. Vale destacar a dificuldade para se adaptar ao sentido de trânsito da mão inglesa, onde o tráfego da direção oposta vem da direita e as ultrapassagens são feitas pela direita, além de outras diferenças.
 
Situada na costa nordeste da América do Sul, a Guiana tem 780 mil habitantes e, em sua região norte, conta com uma estreita faixa litorânea, abaixo do nível do mar, onde vivem 90% da população. Georgetown, capital da Guiana, é uma das capitais mais peculiares da América do Sul, com arquitetura totalmente diferente em relação ao restante do continente. Lá, a dupla se deparou com muitas construções de madeiras, prédios vitorianos e igrejas de torres góticas. Mac e Índio dormiram numa reserva da Floresta Amazônica, onde existe um parque que é mantido pelo governo inglês, distante cerca de 300 quilômetros da fronteira por meio de uma estrada de terra. 
 
"Entramos na Guiana pela cidade de Lethen, seguindo por uma estrada de terra rumo a Georgetown. A Floresta Amazônica ainda está bastante intacta, principalmente na reserva de 320 mil hectares denominada Iwokrama, onde localiza-se o resort com o mesmo nome. É um lugar com instalações muito bonitas, com guaritas a 30 quilômetros de distância uma da outra. A reserva é totalmente preservada e mantida por uma ONG (Organização Não Governamental) do príncipe Charles. Os chalés em madeira dão um clima de um habitat na selva".
 
No Suriname, país localizado entre a Guiana e a Guiana Francesa, cuja fronteira com o Brasil não é possível atravessar por terra, a diversidade continuou em alta. Praticamente desconhecido por grande parte dos sul-americanos, o país tem 515 mil habitantes e um território de 163 mil metros quadrados, menor que o estado do Paraná. A economia é baseada na bauxita, minério abundante na região, que responde por 70% das exportações nacionais. O arroz se destaca como o produto agrícola mais importante. Para usar um termo da moda, Mac e Índio se surpreenderam com tamanha ostentação no país. ?Encontramos mais de 30 cassinos e lojas de venda de ouro, um ouro vindo da China, com menos quilates. Os armários e os balcões desses lugares são muitíssimos bem protegidos para evitar os roubos. A comida do Suriname é bem diversificada, pois lá também há várias etnias. Por razões óbvias, escolhemos a comida brasileira, mesmo?, brinca Mac.
 
O holandês é a língua oficial do Suriname, mas 32% da população fala o híndi, enquanto o japonês é utilizado por 15%. No entanto, há ao menos 25 idiomas reconhecidos no país, onde a embaixada Brasileira fica na capital, Paramaribo. Com o dólar como moeda oficial, o Suriname não chega a ser um país caro, com custos semelhantes aos da Guiana.
 
Em ritmo de Carnaval
 
Parecia Brasil, mas aconteceu na Guiana Francesa. Um carnaval que começou no dia 01º de janeiro e vai até a quarta-feira de Cinzas. Foi nesse ritmo que os aventureiros aquidauanenses chegaram ao local que não é exatamente um país, mas um departamento da França, para não dizer colônia. Sim, com direito a idioma francês, euro como moeda oficial e população com passaporte da União Europeia. O som tipicamente brasileiro, com mulheres dançando e baterias a todo vapor, poderia passar a impressão de que não haveria dificuldades na comunicação universal do samba. Mas não foi bem o que aconteceu. ?Tivemos que contratar um intérprete para irmos até a embaixada na Guiana Francesa, já que eles só falavam francês e holandês?.
 
Além do longo carnaval, Mac conta que ele e Índio também aprovaram a culinária da Guiana Francesa, um lugar com 90 mil metros quadrados (um pouco menor que Santa Catarina). Por ano, o departamento recebe cerca de 1 bilhão de dólares da França para serem destinados em investimento, principalmente em serviços sociais e infraestrutura. Todavia, nada chamou mais a atenção do que o salário mínimo, totalmente fora de qualquer padrão brasileiro, embora o custo de vida seja maior por lá. ?O salário mínimo, em euro, equivale a cerca de R$ 3 mil. Só que também há ponderações, pagamos o equivalente a mais de R$ 100,00 por uma cerveja, um peixe e um camarão em um restaurante, ou seja, muito mais do que iríamos pagar no Brasil?, compara Mac.
 
Quase metade da população da Guiana Francesa é composta por negros e mestiços. Um problema apontado pela dupla é a complicação para quem não fala o francês, predominante até mesmo nos mapas. O único jeito viável passa a ser arrumar um intérprete, como eles fizeram. Outra curiosidade é a grande quantidade de bandidos brasileiros na região, vindos da região de fronteira com o Amapá. Mas nem tudo são reclamações, afinal, os aquidauanenses tiveram a chance de conhecer as belezas da Amazônia da Guiana Francesa, a Ilha do Diabo e a base especial de Kourou, onde lançamentos de foguetes e satélites acontecem constantemente.
 
Problema na volta
 
Tudo transcorria com tranquilidade para Mac e Índio, até o retorno ao Brasil. Mas o placar saiu do zero quando eles estavam no Pará, onde o Troller apagou depois de muita ?vibração? na estrada. Eles pararam na estrada e fizeram sinal de carona, mas demorou para que alguém desse atenção aos pantaneiros. O sinal de luz veio a cerca de 50 metros de distância, quando uma Saveiro que acabara de passar na rodovia também teve problemas e parou no local.
 
?Nosso maior medo é acontecer um problema desses em um lugar deserto, principalmente se fosse em um desses países sul-americanos. Por sorte, o motorista da Saveiro entrou em contato com um amigo que, de caminhonete, nos levou até a ?oficina do Zé Reis?, que consertou o nosso Jeep?, agradece Mac. Depois do imprevisto, a viagem foi cumprida sem problemas até a terra natal, Aquidauana, onde os aventureiros chegaram no domingo (01º).
 
Dicas
 
Após finalizarem a quinta expedição, Mac e Índio pretendem dar um tempo antes de pensar em novos desafios. Por enquanto, eles ainda estão curtindo as lembranças da nova viagem e, a curto prazo, o único plano é participar de outras etapas do Copa Troller, uma aventura off-road que já tiveram a oportunidade de disputar no ano passado.
 
Se novas expedições ainda não estão em pauta, a dupla dá dicas de planejamento para quem busca seguir seus passos. "As pessoas, inicialmente, devem planejar viajar por lugares não muito distantes. A região sul do continente é mais fácil, é possível planejar uma viagem de carro pelo Paraguai ou pela Argentina. Se quiser conhecer a região norte, é preciso andar de ferry boat e enfrentar muitas estradas ruins", aconselha Mac.
 
Segundo ele, não é preciso necessariamente fazer uma viagem para fora do Brasil. "As praias do Nordeste e as aventuras em off-road 4x4 no Pantanal também são excelentes pedidas", completa.
 
Em alguns lugares, a comunicação por telefone fica ainda mais complicada, tornando o WhatsApp a melhor forma para matar as saudades e enviar fotos para a família. "Os familiares sempre ficam muito preocupados, mas sabem que o nosso planejamento é feito ao menos com um ano de antecedência, prevendo problemas e buscando soluções para o que possa ocorrer. A dica é viajar com duas pessoas, e nunca um casal sozinho, pois, caso ocorra algum problema, a mulher pode acabar tendo de ficar sozinha na estrada".
 
Aquidauana vem se tornando cada vez mais uma cidade conhecida por revelar pessoas com gosto por aventura. Na última semana, o fazendeiro Kleber Maggi, a bordo de uma caminhonete Toyota/Hilux, concluiu uma expedição de 10.345 quilômetros pelo litoral brasileiro.

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