Sonho
Como na conhecida canção ela era uma passageira, prestes a partir
Não sabemos se Laura de Freitas da Silva, 11, teve tempo para abraçar seus pais, na sexta feira cinzenta em que foi vista pela última vez. Mas, ela amava “Trem Bala”, a canção que fala de coisas simples, como o sorriso, segurar uma criança no colo, coisa que ela gostava de fazer com Liara, sua irmã, de 2 aninhos, e, obviamente, “abraçar os pais, enquanto estão aqui”.
Como o trem dos versos tão amados, Laura partiu. Em sua paragem na estação da vida, amou intensamente o que essa vida lhe deu. Quem conta, entre uma lágrima e outra, é a tia, Gabriela Freitas, residente em Anastácio, onde a história começou em 2 de agosto de 2005. “Uma menina linda, que na medida em que crescia, falava de um sonho maior, lá na frente: ser médica. Já nos últimos dias, falava em ser advogada, coisa de criança”.
Aluna dedicada da Escola Roberto Scaff, se cobrava muito, ficando irritada quando tirava menos de oito nas provas. Corinthiana, apaixonada por churrasco, sempre foi extremamente inteligente. Sua rotina incluía ajudar a mãe, ultimamente paralisada pela dor, e tinha como lazeres prediletos jogar vôlei e nadar. “Adorava água, não podia ver uma piscina”, lembra Gabi. E se um poeta diz que o que as águas levam nem o tempo pode apagar, será assim com a pequenina Laura.
O intenso sofrimento deste tempo de espera, não impediu a chorosa tia de homenagear aquela que chama de “minha princesa”. Num texto com o toque de despedida, destaca: “O seu destino aqui na terra acabou / mas o seu legado ficou / de voz doce e sorriso encantador / conquistou a todos por onde passou”. Para Gabriela, sua pequena Laura já é, hoje, “a mais bela estrela do céu”. Diante de uma vida tão curta e intensa como não lembrar os termos finais de sua canção preferida? “A vida é trem-bala, parceiro... e a gente é só passageiro prestes a partir”.
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