“Em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher” já deve ter chego em seus ouvidos alguma vez. Hoje comemoramos os 13 anos da criação da Lei Maria da Penha, que foi um divisor de águas na defesa das mulheres que durante anos sofreram, caladas, agressões em suas casas e até a morte.
Sentar na frente de uma tela em branco para escrever sobre violência doméstica era algo restrito, apenas, a policiais e psicólogos. Até a farmacêutica cearense Maria da Penha Maia Fernandes publicar o livro “Sobrevivi, posso contar”, acionar o Cejil (Centro pela Justiça e o Direito Internacional) e o Cladem (Comitê Latino Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher).
Maria da Penha não foi corajosa apenas por buscar justiça contra seu agressor, um professor de química colombiano renomado, foi corajosa por expor internacionalmente as falhas nas leis brasileiras de defesa a mulher.
As agressões sofridas por ela e suas três filhas, que a deixou tetraplégica, aconteceram na década de 80, mas só em 2002 o caso foi solucionado, quando o Brasil foi condenado por omissão e negligência pela Corte Internacional de Direitos Humanos.
Você, caro leitor, pode não pensar dessa forma, mas testemunhar violência doméstica ou contra uma mulher é negligência. É respaldado juridicamente que toda pessoa pode acionar a polícia, não só a vítima e filhos, pois eles estão em situação de total fragilidade.
Morar em Campo Grande, onde foi inaugurada a primeira Casa da Mulher Brasileira, traz um pouco de alívio ao coração. Até os olhos se voltarem para o nosso Pantanal, regiões distantes e que a cultura machista ainda é forte.
Quantos casos de violência você já testemunhou? Quantas amigas ou familiares você viu perdendo a identidade para ser quem o companheiro quer que ela seja? Quantos meninos irão reproduzir a violência, que viu em casa, em suas futuras parceiras?
Se questionamentos como este te incomodam, saiba que pode ser um grande agente no enfrentamento a violência doméstica. Neste Agosto Lilás convidamos toda a população a conhecer melhor a Lei Maria da Penha e as ferramentas de defesa oferecidas às vítimas.
Aquidauana
Em Aquidauana contamos com o Cram (Centro de Referência em Atendimento a Mulher), que está ligado a Prefeitura, e também a DAM (Delegacia de Atendimento a Mulher), que fica na rua Luis da Costa Gomes, 555. Denuncias anônimas pode ser feitas pelo 180 ou 190.