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"Sem imunização, até quando vamos perder nossos pais para Covid-19?" diz filha de caminhoneiro

José foi socorrido debruçado sobre o volante do caminhão, com falta de ar

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Das cenas icônicas do filme Titanic, dirigido por James Cameron de 1998, a dos músicos da orquestra tocando enquanto o navio afunda é uma das mais marcantes. Em vídeos de protestos que circulam nas redes sociais, os caminhoneiros se comparam a esses músicos, pois estão vendo o Brasil se afundar na pandemia e não têm o direito de parar com os trabalhos, pendendo a vida por não estarem em nenhum dos planos de imunização.

No último dia 13, a aquidauanense Kevelyn Ferraz e suas irmãs enterram o pai, José Roberto de Lima, caminhoneiro de 52 anos. Ele estava na estrada, conduzindo um veículo que não era de sua propriedade, quando começou a sentir os sintomas. Mesmo assim, por medo de perder a carga, rodou por quatro dias. Quando estacionou em Sidrolândia – onde mora, não conseguia descer da cabine.



“Era dia 21 de fevereiro quando ele chegou, não aguentava mais de tanta falta de ar. Foi socorrido debruçado sobre o volante do caminhão. Passou pelo hospital de Sidrolândia, mas logo encaminharam para o Regional de Campo Grande. Após 23 dias intubado, recebi a ligação, informando que perdi meu pai por causa de uma parada cardíaca”, lembra emociona.

José nunca demonstrou tristeza, era piadista e sorridente. Mesmo com toda a dor que a família está sentindo, sua preocupação é entender porque os caminhoneiros não estão nos planejamentos de imunização. 

“Até quando eles vão morrer e ninguém vai olhar para a importância desses profissionais? Enquanto estão em casa, são eles que abastecem os mercados e todos os outros setores essenciais. São do grupo de risco e estão constantemente expostos ao vírus”, indaga Kevelyn. 



Ela conclui dizendo que todos os familiares estão com o sentimento de abandono do poder público, pois todos os dias são vários Josés morrendo até o último fôlego pelas estradas do Brasil. Agora, restam apenas as boas lembranças que ficaram.

“A dor da perda é muito difícil, mas essa é a única certeza da vida, que um dia também vamos passar por isso. Então, viva intensamente cada minuto com quem ainda está em vida! Superar é essencial para conseguimos seguir em frente, guardando apenas as melhores lembranças e não conhecemos o dia de amanhã. Esse vírus é invisível e estamos todos vulneráveis. Se cuidem”, conclui. 


 

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