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Sobre acreditar

Com "ajuda" de Nossa Senhora, Alexandre criou cadeira de rodas levinha e até 45% mais barata

Plano "divino" tirou o marceneiro das "trevas", mas fez à ele um pedido solidário

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Independente de credo ou religião, verdade seja dita: colocar em prática atitudes do bem faz a diferença – para você, pro outro, pro mundo. Alexandre Marques Perestrelo, 51 anos, marceneiro radicado em Aquidauana, vive essa realidade. Especificamente no seu caso, porém, ele teve uma ajudinha da fé para cumprir esse caminho.

Com inabalável fé em Nossa Senhora, o devoto à santa acabou ganhando de "presente" um desenho em seus sonhos e, por meio do seu talento autodidata no ofício, acabou desenvolvendo uma cadeira de rodas super criativa, "várias em uma", mais leve e até 45% mais barata do que se tem atualmente no mercado.

"Ela surgiu e me agraciou com sua presença. Já pequei muito nessa vida, confesso ter feito besteiras nas quais me arrependo, então me sinto abençoado dela simplesmente ter me escolhido em seu projeto divino".

Alexandre já fazia reforma de muletas, bengalas e até cadeira de rodas como uma ação solidária, em que os artigos eram doados aos necessitados até quando não precisassem mais, e então seguiam para outras pessoas à espera de amparo. Certo dia, soube por uma vizinha que uma jovem foi até a farmácia do bairro verificar o preço de um par de muletas para seu pai. Com apenas R$ 30 em mãos, não chegou aos pés de completar os R$ 170 da compra.

Acabou que o marceneiro entrou na história por causa do seu trabalho beneficente, porém entre tantos desencontros, nunca conheceu a jovem. Isso foi há 3 meses, conta.

Alexandre desmontando sua cadeira "várias em uma": de bengala a par de muletas, andador e até cadeira de rodas.

"Fiquei triste em não ter tido a chance de ajudá-la, e aquilo martelava na minha cabeça. Certa noite, Nossa Senhora apareceu em meus sonhos e iluminou minha mente com um projeto diferente, o qual nunca havia imaginado antes. Entregando o santo desenho em minhas mãos, ela pediu por minha ajuda para que eu o construísse", relata.

Em 3 dias, Alexandre fez o primeiro protótipo, o qual mostra com exclusividade ao O Pantaneiro. "Foi impressionante porque não tive sequer algum contratempo. Tirei da minha cabeça e já fui montando". O diferencial da cadeira de rodas "divina" é que no mesmo equipamento é possível contar com um andador, par de muleta e bengala. Inclusive, a cadeira também já é preparada para que o usuário possa tomar banho nela.

"Tudo isso pesando bem menos. Geralmente, uma cadeira de rodas tradicional, feita em alumínio, pode chegar a 14kg – a minha só tem 8, com uso de fibra natural. Sem falar que o custo foi rebaixado, entre 30 a 45% mais barato que a convencional", descreve sobre o desenho enviado por Nossa Senhora, executado por Alexandre e já patenteado no plano terrestre. Atualmente, o Brasil tem mais de 45 milhões de PCDs (pessoas com deficiência), sendo 35 delas já na velhice. "O intuito é fazer isso crescer e possibilitar ajudar mais e mais gente", garante.

Cadeira de rodas de Alexandre veio de "sonho divino" e ainda está em fase de protótipo, porém já ganhou patente.
Segurando a bengala da própria cadeira, Alexandre revela que não foi difícil fazer esta versão mais leve e barata.

"Como que eu poderia negar um pedido da minha Santa Padroeira? Foi ela quem me tirou do mau caminho. Todo o dinheiro que eu conseguir juntar vou reverter para fazer mais, melhorar o protótipo e, quem sabe muito em breve, lançar a versão final da cadeira. Também pretendo continuar com as reformas e doações que já faço. O plano dela envolve isso e muito mais", afirma.

Ligação de fé – Esta não foi a primeira vez que Alexandre recebeu o chamado da santa. De acordo com ele, a mesma coisa aconteceu quando foi trabalhar na marcenaria de um banco na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Aquidauana.  Isso já tem 5 anos.

"Olhando na internet, procurando por referências, estava completamente sem inspiração. Foi aí que ela apareceu debaixo de uma grande árvore, ao lado de Jesus e São José. Na ocasião daquele sonho, disse que uma grande obra estava em curso e que eu era o seu  pivô. Hoje em dia eu entendo o porquê", diz.

Mesmo passando com um quadro de bursite atacada, Alexandre estava pautado na força de sua fé. "Anteriormente, eu estaria chorando de tanta dor. Mas naquele dia fiquei de 13h às 19h lixando pranchas e pranchas de madeira sem parar, cada uma com 3 metros de comprimento. Não sentia dor, apenas calor no coração. Eu ouvia a sua voz e me sentia em paz", revela.

Neste registro, Alexandre desacopla as diferentes funções da cadeira que virou sua "meta de vida" por meio da fé.
Da esquerda para a direita: andador, muleta, bengala e o assento/encosto do equipamento feito por Alexandre.

Nas diversas avalições dos médicos, o marceneiro foi orientado a seguir com a cirurgia. Porém, depois do episódio milagroso, os exames mostraram o contrário: as inflamações sumiram, a dor não existe mais e Alexandre agora é um "outro homem".

"A fé move montanhas, com certeza. Digo por mim mesmo, pelas provações que já passei. Tive livramentos como quase ter me afogado, escapado de um sequestro, desfeito a suposta 'amizade' com um traficante, além de ter me envolvido num acidente grave, em que o carro bateu com tudo a 140 km/h e eu não tive um arranhão. Eu vivia as coisas 'mundanas'. Mas foi ela quem me mostrou o caminho da luz, do bem, da oração, e desde então mudei da água pro vinho. Não tem problema com os outros desacreditarem de mim, porque Nossa Senhora acredita. Eu me acredito e sigo os passos na fé dela", complementa.

Por enquanto, a cadeira de rodas feita por Alexandre ainda está em protótipo. Segundo o marceneiro, ainda há de ser produzida oficialmente e doada para quem mais precisar. Na intervenção de Nossa Senhora, conforme afirma, ele revela que um livro com todas as suas histórias e livramentos ainda será escrito – "o bem que a fé me fez precisa ser compartilhado", acredita.

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