MOMENTO HISTÓRICO
Primeiro diplomata de Aquidauana destaca avanço da representatividade indígena; um dos novos empossados nesta semana foi Idjahure Achkar de Mendonça Pinto, que tem raízes familiares no município
O diplomata e cineasta aquidauanense Essi Rafael Mongenot Leal / Arquivo O Pantaneiro
A chegada de Idjahure Achkar de Mendonça Pinto, conhecido como Idjahure Terena, à carreira diplomática brasileira também foi motivo de comemoração para outro aquidauanense que conhece de perto os caminhos do Itamaraty. Essi Rafael Mongenot Leal, que já integra o serviço diplomático, destacou a importância histórica da conquista e a presença cada vez maior de brasileiros de diferentes origens na representação do país.
Idjahure tomou posse na quarta-feira (04), em Brasília, como terceiro-secretário do Ministério das Relações Exteriores. Integrante do povo Terena, ele está entre os dois primeiros indígenas a ingressar na formação da carreira diplomática brasileira. Sua história também tem ligação com Aquidauana, terra natal de seu pai, o artista indígena Mac Suara Kadiwéu.
Para Essi, a conquista tem um significado que ultrapassa a realização profissional. Ele considera a chegada de um diplomata Terena ao Itamaraty um momento histórico, capaz de despertar orgulho entre familiares, comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul e moradores de Aquidauana.
“Também é um sinal da renovação do serviço público brasileiro. Antigamente, os diplomatas eram quase sempre do Rio de Janeiro. Hoje, temos diplomatas de todas as regiões do Brasil”, observa.
Essi também chama a atenção para a importância de a população se reconhecer nas pessoas que representam o país. Segundo ele, a presença de servidores de diferentes regiões e realidades fortalece a legitimidade do trabalho diplomático.
“Quando os brasileiros se reconhecem nos rostos desses servidores, sejam homens ou mulheres, vindos do interior ou das capitais, nosso trabalho ganha muito mais legitimidade”, afirmou.
A trajetória de Essi também guarda uma passagem interessante ligada à representatividade indígena. Antes de ingressar na diplomacia, ele estudou Cinema na UFSCar (Universidade Federal de São Carlos). Foi nesse período que acompanhou uma história que considera semelhante à conquista de Idjahure.
“Quando fiz faculdade de cinema na UFSCar, ocorreu algo similar. O Agenor, da aldeia Água Branca, veio pouco tempo depois e se tornou o primeiro indígena formado em cinema por lá. Muito legal isso”, recorda.
A lembrança, segundo ele, ajuda a mostrar como a chegada de novos profissionais a espaços historicamente pouco ocupados por determinados grupos pode abrir caminhos e inspirar outras pessoas.
Em 2023, O Pantaneiro já havia contado a trajetória de Essi, que deixou Aquidauana aos 15 anos para estudar em Campo Grande e, posteriormente, seguiu para a formação em Cinema e Relações Internacionais. A diplomacia se tornou sua carreira, sem que ele abandonasse o vínculo com a produção audiovisual.
Agora, ao acompanhar a chegada de Idjahure ao Itamaraty, Essi vê mais um motivo para celebrar a presença de pessoas com diferentes histórias e origens na instituição. Ao colega, deixou uma mensagem de incentivo.
“Desejo toda a sorte do mundo ao Idjahure e uma carreira de muito sucesso”.
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