Investigação
Na primeira noite para o segundo dia, Edilsio dormiu menos de 2h. No terceiro dia ele passou mal e foi internado
"Oii mamãe! Acabei de tomar banho e lavar roupa (...) atrasei um segundo e me mandaram fazer uma redação de 50 linhas", escreveu Edilsio Morais da Silva Filho para mãe, às 23h24, no seu primeiro dia como aluno do Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva do 9° BE Cmb, em Aquidauana.
Dois dias depois, ele veio a óbito por rabdomiólise, que o levou a hepatite fulminante e arritmia cardíaca por desidratação, aos 18 anos, após uma sessão de Treinamento Físico Militar.
Conforme já reportado pelo O Pantaneiro, desde segunda-feira (14), os novos alunos do NPOR do ano de 2022 entraram no internato. Todos os dias, de manhã, eles realizavam atividades físicas e, em seguida, iam para as salas de aula.
Algumas informações indicam que, ontem, Edilsio antes de realizar as atividades físicas, sentiu-se mal e com os batimentos cardíacos acelerados. Ele foi encaminhado ao Hospital Regional de Aquidauana, com quadro de exaustão muscular, mas não resistiu.
Na primeira noite para o segundo dia, Edilsio dormiu menos de 2h. No terceiro dia ele passou mal e foi internado. Por acreditar em negligência, a família pediu uma investigação policial sobre a morte do rapaz. A conversa entre ele e a mãe, nas únicas duas noites que ele passou no internato, mostram que ele ficava até tarde escrevendo redações com 50 linhas como punição. Na noite antes de sua morte, Edilsio foi punido porque precisou usar uma meia remendada.
Alunos fazendo redação com luz do celular"Tenho que fazer uma redação de 50 linhas. Uma das meias que a sr (sic) bordou estava rasgada. Eles viram e tomei punição. A senhora pode me ajudar [a escrever]?", disse o jovem às 21h48 da terça-feira (15).
Ele também enviou um vídeo, que mostra o alojamento deles, em que todos os alunos castigados estão escrevendo redações apenas com a luz de lanternas.
No alojamento fazendo as redaçõesA Polícia Civil investiga o caso. Hoje (17), o corpo de Edilsio Morais da Silva Filho foi velado e sepultado no Cemitério Cidade Parque Natureza. A reportagem do jornal entrou em contato com o CMO (Comando Militar do Oeste), mas, até o fechamento da matéria, não obteve resposta.
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