Saúde
Em três meses, a cidade já ultrapassou a metade dos casos confirmados do ano todo de 2022
Os dias quentes e de céu azul não significam que está tudo calmo com relação à dengue. Apesar da temperatura aquecida, as autoridades alertam para que a população se mantenha vigilante e não descuide um só minuto. Afinal, a dengue é uma grande inimiga da população e pode matar. Em Mato Grosso do Sul, o Boletim Epidemiológico da Dengue, aponta que o estado teve um total confirmados 7.988 casos e sete óbitos e a cidade de Aquidauana, além de constar neste Boletim, segue monitorada por órgãos municipais, como mostra essa reportagem (números registrados até o fechamento desta edição).
As chuvas que atingiram o Estado desde o início do ano, e também as mais recentes, vêm acendendo o alerta para o risco do aparecimento de novos casos da dengue.
Pelo boletim do governo, Aquidauana apresenta uma média incidência de casos (indicador amarelo), o que não garante descuidar das ações diárias de eliminação de criadouros, uma vez que a vizinha, Anastácio, está em alta incidência, num sinalizador vermelho.
Prefeitura atua em diversas frentes para combater os vetores da dengue
Preocupada com os casos de dengue na cidade, a prefeitura, com Secretaria Municipal de Saúde, a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos e Rurais, que vem atuando na realização de limpeza em todos os bairros, e a Vigilância Sanitária com as Lei Municipais n.º 2557/2018 e n.º 2558/2018 que prevê multa sobre imóveis e terrenos sujos, têm somado ao trabalho que a equipe do Controle de Vetores vem realizando. Juntos, esses órgãos desenvolvem ações para esclarecer a população, evitar o aumento dos casos da doença e atender nas unidades de saúde quem estiver com sintomas ou mesmo com exame positivo para dengue.
Os dados são referentes aos meses de janeiro, fevereiro e março. As chuvas intensas que atingiram a cidade causaram um aumento de infestação do vetor Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya.
De modo a mostrar à população que o mosquito-da-dengue não está brincando, O Pantaneiro conversou com os profissionais da equipe de controle de vetores, que trabalham incessantemente para levar informação, segurança e ajuda aos moradores dos bairros da cidade, por exemplo, Nova Aquidauana e Guanandi.
Os trabalhos dos agentes de endemias continuam com as visitas diárias, com orientação e prevenção.
Numa dessas visitas semanais, a equipe de Controle de Vetores de Aquidauana encontrou larvas do mosquito Aedes em pares de botas, baldes com água, garrafas, pratinhos de plantas e tampas de garrafas.
Higiene é fundamental para evitar contaminações
"Não adianta você jogar a água da vasilha e não lavar a vasilha. Porque se você põe uma água nova e os ovos estão na borda do recipiente, ele vai eclodir e você não vai identificar de novo. Então, por isso que tem que ter esse hábito de jogar e lavar. E sempre que
choveu verifique na sua residência, verifique o seu quintal. Porque há uma grande possibilidade de ter um material de acumular água ali. Então, esse hábito que é importante a pessoa criar e desenvolver. Ele na residência e na sua família, para estar conseguindo eliminar o vetor", explica Waldemar, supervisor da equipe de Educação em Saúde, da Coordenadoria Municipal de Controle de Vetores.
Conforme o profissional, "no ciclo de vida do vetor, na nossa região, ele demora de sete a dez dias. Então, você fazendo essa fiscalização esse trabalho de eliminar, de limpar a vasilha do animal uma vez por semana, já resolveria".
Para reforçar o que disse Waldemar, da Coordenadoria Municipal de Controle de Vetores, os dados trazidos pela Coordenadora de Vigilância em Saúde, em Aquidauana, Camila Mayer, revelam que não se pode descuidar um só minuto. "O mês de fevereiro e março foi e está sendo marcado pelas fortes e recorrentes chuvas em nosso Estado e em nossa cidade, facilitando, assim, o aparecimento de focos de criação do mosquito Aedes. Desde o início do ano, estamos em ascendência nos casos notificados e nos casos positivos de dengue em nosso município. Os três primeiros meses do ano com seus números de casos de dengue notificados, positivos, número de internações e óbitos. Nesses três meses já temos notificados 344 casos de dengue, desses 179 casos positivos, seguido de 1 óbito. Lembrando que no ano todo de 2022, tivemos 768 casos, desses 312 confirmados. Em três meses já passamos a metade dos casos confirmados do ano todo de 2022".
Segundo a coordenadora, "a doença pode se apresentar em diversas formas, com sintomas leves ou graves, e até mesmo levando à morte. Nos últimos 5 anos não havíamos mais apresentado nenhum óbito causado pela doença viral, porém em março deste ano perdemos um paciente por conta da gravidade da doença. Então vale ressaltar que quando viramos um potinho que pode ser criadouro das larvas do mosquito não estamos só protegendo nossa família, mas sim pensando no outro". Ainda segundo Camila, "esse único mosquito não é transmissor somente da dengue, mas também da chikungunya e zika".
Transmissores da dengue estão em lugares inusitados
O coordenador Municipal de Controle de Vetores da cidade de Aquidauana, Sebastião Marques, faz um alerta para a parcela da população que continua displicente, na vigilância: "temos encontrado transmissores da dengue em locais inusitados. Precisamos que a população reforce os cuidados, se desdobre em limpar os quintais e terrenos para nos ajudar no combate à dengue. Não podemos descuidar nenhum dia, pois o mosquito não dá trégua e a dengue mata", enfatiza Marques.
Para a coordenadoria de Controle de Vetores, a situação de falta de cuidado por parte dos moradores em fazer aquela inspeção frequente nas suas residências, tem contribuído de forma negativa e novos casos vêm ocorrendo indistintamente de regiões. Ou seja, toda a cidade vive o mesmo risco sem áreas menos ou mais afetadas.
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