Turismo
Instituto diz que houve omissão envolvendo uso da estrada ecológica para transporte de cargas pesadas
A SOS Pantanal renunciou a vaga no Conselho Consultivo da Área de Proteção Ambiental Estrada-Parque Piraputanga. Isso porque, a instituição afirma que houve omissão de diversos órgãos envolvidos uso da estrada ecológica para transporte de cargas pesadas.
Segundo apurado pelo jornal O Pantaneiro, quando ainda ocupava assento no conselho, a SOS Pantanal manifestou diversas preocupações com o aumento de tráfego de caminhões a partir de um contrato firmado entre a empresa Suzano com uma fazenda local para a exploração de eucalipto.
“Após muitos debates, sua atuação não induziu a mudanças significativas no processo de autorização do uso da Unidade de Conservação, o que se concretizou por meio da omissão de entidades como a AGESUL (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul) e IMASUL (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), além da falta de cumprimento de promessas pela própria Suzano”, divulgou a instituição, por meio de nota.
Para a SOS Pantanal, o tráfego excessivo de caminhões na estrada, que corta os municípios de Dois Irmãos do Buriti e Aquidauana, com rota passando pelo distrito de Palmeiras, trará imensos riscos às comunidades locais, incluindo animais que dependem dos recursos provenientes da área de proteção ambiental, criada há 24 anos.
Além disso, a instituição pontua que, a rodovia não possui mecanismos básicos para a passagem de fauna, tampouco acostamento ou cercas de proteção. Além disso, pequenos negócios turísticos ali instalados serão prejudicados pela interferência dos veículos num ambiente que hoje é ideal para o relaxamento e para a prática de esportes de natureza, como rapel.

De acordo com Leonardo Gomes, diretor executivo do SOS Pantanal, o Conselho Consultivo da Área de Proteção Ambiental Estrada-Parque Piraputanga, com a participação do instituto, “fez uma ampla consulta com a população local, posicionando-se de forma clara com relação aos impactos do empreendimento para vidas humanas, animais silvestres e para a infraestrutura. Infelizmente isso não motivou análises mais profundas por parte das instituições estaduais, especialmente da AGESUL, e a continuidade do SOS Pantanal neste espaço seria legitimar uma decisão que consideramos bastante irresponsável”.
SOS Pantanal
Fundado em 2009, o SOS Pantanal é uma instituição de advocacy, sem fins lucrativos, que promove a conservação e o desenvolvimento sustentável do Pantanal por meio da gestão do conhecimento e a disseminação de informações do bioma para governantes, formadores de opinião, grandes empreendedores, fazendeiros e pequenos proprietários de terras da região, assim como para a população em geral.
Ao longo das últimas duas décadas, o Instituto SOS Pantanal também impacta diretamente o ecoturismo ao promover iniciativas de preservação ambiental e desenvolvimento sustentável. Por meio de incentivos à profissionalização, aliado a uma fiscalização mais efetiva e o consenso de boas práticas conjuntas entre os setores privado, público e terceiro setor, o SOS Pantanal tem contribuído para que o ecoturismo cada vez mais se apresente como um dos pilares do desenvolvimento sustentável do Pantanal.
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