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Homem e meio ambiente

Tragédias revelam os desafios de viver no Pantanal

Há exatos 47 anos, em 15 de maio de 1978, o jornal O Pantaneiro registrou o ataque de uma onça a um boidadeiro

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Viver no Pantanal é lidar diariamente com os desafios e encantos de uma das maiores planícies alagáveis do mundo. A harmonia entre a vida humana e a natureza selvagem, embora admirável, por vezes é rompida por episódios trágicos que expõem a delicada linha entre convivência e sobrevivência. Um exemplo recente foi a morte do caseiro Jorge Ávalo, atacado por uma onça na região do Touro Morto, zona rural de Aquidauana, no fim de abril. O caso ganhou repercussão internacional, reacendendo debates sobre segurança nas áreas de mata e o impacto da presença humana em territórios tradicionalmente ocupados por animais silvestres.

Embora ataques de onça sejam eventos raros, eles não são inéditos no cotidiano pantaneiro. Há exatos 47 anos, em 15 de abril de 1978, o jornal O Pantaneiro registrou um acontecimento semelhante, demonstrando que a convivência com a fauna local sempre exigiu atenção e respeito às dinâmicas naturais da região. A memória desses episódios reforça a importância de políticas públicas voltadas à educação ambiental, à preservação dos habitats e ao preparo da população para lidar com riscos associados à vida em áreas de fronteira ecológica.

A seguir, o jornal compartilha a reprodução da matéria publicada na edição de 1978, preservando o estilo da época, como forma de resgatar a história local e refletir sobre as permanências e mudanças no relacionamento entre o homem pantaneiro e a natureza que o cerca. A reportagem de 47 anos atrás serve como testemunho de um cenário onde o desafio de viver entre as águas, matas e animais selvagens ainda se impõe com força e atualidade.

 

"Onça pintada quase matou Boiadeiro”  - O Pantaneiro - 15 de abril de 1978


Esse fato aconteceu na Fazenda Pontal, retiro São João, no último dia 10. O boiadeiro Alinor José Soares, 32 anos, pai de 2 filhos e o capataz desse retiro, Maurício, estavam juntando gado a uns quilômetros da sede quando viram um filhote de onça pintada comendo uma carcaça.  

Naquele local, o gado sempre estava se assustando. Os dois boiadeiros resolveram entrar em um caraguatá próximo a fim de verificar se lá tinha mais onças. Logo que entraram no mato, foram atacados por uma onça adulta que apanhou Alinor desprevenido. Este ainda tentou puxar uma faca, mas o felino foi mais rápido e, de um bote, rasgou-lhe os dois braços e coxas com as unhas, e ainda mordeu-lhe a testa.  

Imediatamente, Maurício, que vinha atrás, conseguiu dar dois tiros de revólver .38, acabando por matar a onça e depois o filhote.  

Muito febril e assustado pelo perigo por que passou, Alinor foi trazido imediatamente de avião pelo proprietário da Fazenda Pontal, Dr. José Fracalossi, que o internou no Hospital da Cidade, onde foi assistido pelo Dr. Roberto Trindade.  

Depois de medicado, Alinor passou a contar detalhes dessa aventura. Disse que, na época de cheias, é normal aparecer onças na Fazenda, principalmente a parda. Onça pintada é mais difícil.  

Sobre a agilidade da onça, Alinor comparou-a a uma bala: 'Nem dá tempo da gente se defender’."  

 

 

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