AQUIDAUANA
Projeto de pesquisa sobre microalgas do Pantanal foi o grande campeão da Feciaq do IFMS na categoria de nível médio
Estudantes do Cepa vencem FECIAQ 2026 / Arquivo Pessoal
Um projeto científico desenvolvido por cinco estudantes do ensino médio, sob orientação de uma professora, conquistou o primeiro lugar na categoria de nível médio da Feira de Ciências e Tecnologia do IFMS Campus Aquidauana (FECIAQ), realizada nesta semana, em Aquidauana (MS). Além do reconhecimento, a equipe garantiu credenciamento para participar da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (FEBRACE), que será realizada em São Paulo, em março de 2027.
Intitulado “Meninas STEMar Pantanal – Do tanque ao Oceano: Microscopia de baixo custo no fitoplâncton do Pantanal”, o trabalho também recebeu a medalha de melhor projeto da feira na categoria multidisciplinar, consolidando-se como destaque entre as pesquisas apresentadas no evento.
A conquista ganha um significado especial por ocorrer durante a Semana de Ciência e Tecnologia, que neste ano tem como tema “Ciência Delas”. A equipe é formada exclusivamente por meninas, assim como sua orientação, reforçando a importância da participação feminina na produção científica e no incentivo a novas gerações de pesquisadoras.
Em entrevista ao jornal O Pantaneiro, a professora orientadora Ana Lúcia Nunes da Silva explicou que o grupo integra o Centro de Educação Profissional de Aquidauana (CEPA) e é formado pelas estudantes Bianca, Leizyane, Maria Eduarda, Renatha e Yasmin, do primeiro e segundo anos do ensino médio.
Formada em Biologia e mestra em Zootecnia, Ana Lúcia destacou que sua atuação no projeto ocorre na área da pesquisa, acompanhando o desenvolvimento científico das estudantes.
Pesquisa conecta o Pantanal ao ambiente marinho
O projeto investiga microalgas, conhecidas como fitoplâncton, presentes nos tanques de aquicultura da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). A coleta foi realizada com autorização da responsável, a Dra. Cristiane Meldau.
A partir das amostras, as estudantes buscaram observar esses microrganismos e estabelecer conexões entre os ecossistemas de água doce do Pantanal e o ambiente marinho. Uma das etapas da pesquisa envolve a representação das estruturas observadas por meio de desenhos feitos manualmente e a comparação com registros de organismos do mar.
Segundo a proposta, embora estejam em ambientes diferentes, os microrganismos aquáticos desempenham funções ecológicas fundamentais. O fitoplâncton contribui significativamente para a produção de oxigênio, participa da captura de carbono e influencia a regulação do clima do planeta.
Um dos diferenciais do trabalho é a utilização de dispositivos de microscopia e projeção construídos com materiais acessíveis, como caixas de papelão e microlentes obtidas de ponteiras laser. A solução permite observar o fitoplâncton com equipamentos de baixo custo, ampliando as possibilidades de acesso à experimentação científica em ambientes educacionais.
Incentivo às meninas na ciência
O trabalho é desenvolvido no âmbito do programa Escola Azul do Brasil/Ciência da Maré e está alinhado aos princípios da Década das Nações Unidas da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável (2021–2030).
A iniciativa busca fortalecer o protagonismo feminino nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, conhecidas pela sigla STEM, com ênfase nas Ciências do Mar. A proposta também promove a cultura oceânica, a equidade de gênero e a sustentabilidade.
Nesse contexto, a vitória na FECIAQ representa mais do que um reconhecimento acadêmico. A presença de cinco estudantes e uma orientadora na equipe evidencia como o incentivo à participação feminina pode abrir caminhos para que mais meninas se envolvam com a pesquisa, desenvolvam soluções criativas e ocupem espaços de destaque na ciência.
Próximo desafio será em São Paulo
Com o primeiro lugar na categoria multidisciplinar de ensino médio e técnico e o prêmio de melhor projeto de nível médio, a equipe agora se prepara para uma nova etapa: a participação na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (FEBRACE), em março de 2027, na Universidade de São Paulo (USP).
O credenciamento conquistado em Aquidauana leva a pesquisa desenvolvida pelas estudantes a uma importante vitrine nacional de projetos científicos, ampliando a visibilidade do trabalho e do potencial da educação científica regional.
A conquista também coloca em evidência a capacidade de estudantes do ensino médio de desenvolver pesquisas que unem criatividade, tecnologia acessível, preservação ambiental e inclusão, mostrando que a ciência pode começar na realidade local e contribuir para discussões de alcance global.
Capital
Caso ocorreu na manhã deste sábado; equipe relatou que o homem tentou avançar com os policiais
Você Repórter
Acidente ocorreu na noite desta sexta-feira; uma das vítimas estava presa às ferragens
Voltar ao topo