Após a greve dos caminhoneiros, consumidores ainda fazem fila após a falta de gás no mercado
Vanessa Ricarte
Publicado em 04/06/2018 às 12:16
Atualizado em 10/09/2026 às 14:37
Nesta segunda-feira (4) algumas pessoas deixaram seus postos de trabalho mais cedo para poder entrar na fila em distribuidoras de gás de Aquidauana, diante da falta do produto no mercado após a greve dos caminhoneiros.
Claudinei Almeida de Andrade, dono de distribuidora de gás, explica que no decorrer dessa semana, o estoque de botijões já deverá ser normalizado. “Até sexta ou sábado estará normalizado o atendimento, já que deverá chegar gás nos outros depósitos também”.
O motivo da falta do produto no mercado é decorrente do processo de envasamento do gás, aumentando o tempo de chegada da cadeia produtiva até o consumidor final. “Os botijões envasados em Campo Grande vêm de Paulínea, no Estado de São Paulo e de Araucária, no Paraná. Com a paralisação, os tanques não chegaram à Capital e por isso houve o desabastecimento. Agora os caminhões tanque estão chegando no estado para que os botijões sejam envasados e distribuídos em Aquidauana e região”, explicou.
Como a demanda é muito grande, o fluxo deverá ser regularizado em alguns dias a fim de abastecer todas as distribuidoras, conforme explica o empresário. “Consegui até o momento três cargas, entretanto, limitadas. Como atendemos também os municípios de Miranda e Bodoquena, acabamos tendo que dividir o gás para as outras cidades, por isso chega e acaba rápido.
Nova carga
Claudinei informa que ainda pela manhã está prevista a chegada de 330 botijões para Aquidauana e Anastácio e deverá acabar até 14h30, conforme a distribuidora. “O telefone está um caos, o sistema travou, entrou em colapso e tivemos que suspender o atendimento nos últimos dias, pois saiu do controle, pedimos até desculpas aos clientes por isso, mas infelizmente, foi a situação pela qual nos deparamos”.
Outro problema apontado pelo empresário foi o comportamento do consumidor de estocar gás, o que prejudica também o abastecimento do produto na cidade. “Pedimos às pessoas que não se desesperem ou façam estoque de botijão de gás, pois não há necessidade disso e o cliente que adota essa prática acaba tirando a oportunidade daquele que não tem mais o gás em casa. Tenham calma, pois em 3 ou 4 dias vai ter gás para todos”, tranquilizou.
O que fazer sem o gás
Renan Santos Pereira, 28, técnico em enfermagem, na fila por um botijão, disse que está sem gás desde hoje de manhã. “Já vim urgente porque fiquei sabendo através de um conhecido que trabalha na empresa. O valor repassado até o momento é de 70 reais. Vou ficar aqui na fila até surgir o caminhão. Mesmo se tiver mais caro, vou ter que comprar, não posso ficar sem”, disse aguardando a carga chegar.
Já Robson Cristaldo Romero, 33 anos, contou que está sem gás de cozinha desde a última quinta-feira (31). “Estamos cozinhando no fogão a lenha. Vim para comprar dois botijões, um para mim e outro para minha vizinha. Mas se o preço estiver acima de 100 reais, vou continuar a cozinhar no fogão a lenha”, disse entre risos.
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