25 de julho de 2021
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Rádio Independente

O fiel "bom dia" de Armandinho voltou, mas na voz e saudade dos amigos do peito

Sem o radialista, manhãs eram motivo de luto; agora, programação ganhou retorno

17 JUN 2021 - 09h29min
Raul Delvizio

Bastava ligar o rádio e sintonizar na FM 90,9 que o típico vozeirão de radialista das antigas preenchia o som de toda manhã. Para quem é de Aquidauana e região, o fiel "bom dia" só tinha início quando vinha narrado por Armando Anache, o Armandinho, em seus dois programas matutinos sequenciais. Era de praxe. Mas em maio deste ano, a covid-19 encontrou nele mais uma vítima, e o "ao vivo" teve que ser suspenso indefinidamente. Até agora.

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À esquerda, Amaral, Rivas e Armadinho (ao fundo); mais que profissionais, eternos amigos da Rádio Independente.

Antes executada por Armandinho, a programação nas manhãs da Rádio Independente ganhou um "ressurgir das cinzas" nesta semana por meio de três amigos do peito e colegas de profissão.

Rivas, Antônio Pinto e Valmir Amaral encararam o desafio de preencher – mas jamais substituir – a partir da última segunda-feira (14) a locução ímpar do ex-diretor. Quem sabe, sintonizado do céu, ele também tem um radinho de pilha colado no pé do ouvido para acompanhar um novo "bom dia"…

Convidado especial para a estreia foi o consagrado jornalista José Lima Neto, diretor do Jornal O Pantaneiro.

"Armandinho era uma pessoa única, um profissional completo. Não existirá outro igual. Mas nossos ouvintes – fiel público dele – gostavam tanto de sua presença, do formato que ele produziu por tantos anos, que não podemos deixar a lacuna assim aberta. O luto deu uma trégua, e decidimos voltar por agora com a mistura entre jornalismo e entretenimento, mas com o mesmo padrão de qualidade que ele exigia e conseguia fazer com primor. Assim, manteremos sua memória viva", esclarece Valmir Amaral, 38 anos, radialista da Independente desde o ano de 2003.

Até então, Armandinho assumia o "Cidade Contra o Crime" – sua assinatura – diariamente das 7h às 8h e, na sequência, o programa "Armando Anache" que seguia até o meio-dia. Passado dois meses e meio da sua morte, a Rádio Independente conta agora com o "Bom Dia Ind" no lugar, de segunda a sexta, sempre das 8h às 11h.

Selfie de Armadinho com Amaral; para ele, o radialista e diretor da FM 90,9 foi um "paizão na vida" de muita gente.

"Paizão na vida" – Para Amaral e tantos outros profissionais, Armandinho simplesmente foi como um "pai", acolhedor e conselheiro. "Só não aprendia quem não queria, pois ele fazia de tudo para ajudar, sempre transmitindo conhecimento. Inclusive, praticamente todos os radialistas da cidade passaram por suas mãos. 'Sabedoria foi feita para ser passada em frente', dizia. E nem cogitava levar 'rasteira' da concorrência. Era realmente muito querido por todos", elogia.

Pouco antes do falecimento do amigo e colega de trabalho, Amaral conta que a FM 90,9 estava em vias de expandir sua potência e reformular a programação. "Mas daí veio a notícia. Foi tudo muito rápido! Na quarta-feira do dia 24 de março ele fez questão de apresentar o programa. Dois dias depois ele foi parar no hospital e na sequência já veio a óbito".

Também repórter de rua, Armadinho entrevista o ex-prefeito de Aquidauana, Luiz Felipe Orro, no ano de 2006.
Nesta ocasião, Armandinho conversa com o cacique da aldeia Limão Verde, um dos responsáveis pela dança bate-pau.

Durante 60 anos, Armandinho bateu "firme e forte com a verdade, doa a quem doer" – um dos seus famosos bordões. Do mesmo jeito que surpreendia onde quer que chegasse com seu conhecido vozeirão, sua morte também assustou.

Assim que teve os primeiros sintomas, já fez o teste para o novo coronavírus que acusou resultado positivo. Na sequência de poucos dias, teve internação em Aquidauana, foi entubado, teve transferência para Corumbá (sua cidade natal) e, no dia 30 de março, teve uma parada cardiorrespiratória fatal. Dessa forma, encerrou o "ao vivo" da vida.

História vivida e narrada, Armandinho foi até Campo Grande no ano de 1991 acompanhar a visita do Papa João Paulo II.

História narrada – A Rádio Independente começou pelo "martelinho" de Antônio Garcia, apelidado de "jornalista 120", pois foi ele mesmo quem construiu com as próprias mãos a emissora. O ano era 1962. Utilizando amplitude modulada (AM) entre 1530 e 1020 kilohertz, se consagrou a mais potente da região.

Quando veio 1985, Armando Anache e sua esposa Tereza Cristina Vaz compraram a rádio e, a partir de 2018, fizeram a migração total para a frequência modulada (FM), com som estéreo e processamento de áudio digital de primeira.

Nascido e criado em Corumbá, Armandinho era um jornalista nato; ainda jovem, registro dele segurando o gravador K-7 "portátil" à época para entrevista com o Rei Roberto Carlos, no camarim de show em Campinas, São Paulo, em 1977.
Formado pela PUC-Rio, Armandinho ganhou experiência na Rádio Globo; aqui, registro na cobertura do Carnaval 87.

"Às 9h54 daquela quinta-feira entrou no ar a primeira música, 'New York, New York', na interpretação inesquecível de Frank Sinatra. O transmissor antigo foi desligado às 14h20, encerrando permanentemente as transmissões em AM", disse o próprio Armandinho à época.

O que um dia foi narrado pela voz do radialista deve continuar. Sobre o lançamento do "Bom Dia Ind", Tereza Cristina Vaz, viúva e atual diretora da rádio, agradece a participação dos espectadores nessa nova fase. "O programa já se tornou um sucesso, pois o que era para ter apenas 2 horas de duração ganhou mais 1 em pedido aos ouvintes e agora preenche com orgulho e carinho a lacuna que Armandinho deixou", afirma.

Mas foi na Rádio Independente Aquidauana (FM 90,9) que se entregou: trabalhou, se divertiu, fez amizades e viveu feliz.

Aproveitando a notícia da nova programação matutina, ela anuncia que em breve será autorizado a mudança dos atuais 30 kilowatts para 50, possibilitando uma cobertura para todo o estado.

"Isto é a prova inegável que boatos como de venda, aluguel ou mesmo arrendamento da nossa querida emissora são todos falsos. Essas e outras iniciativas mostram respeito ao trabalho de toda uma vida de Armandino Anache", disse enfática. Ainda, para o período vespertino, uma voz feminina será a novidade.

Para encerrar com gostinho de saudade, eis a fala do próprio Armandinho sobre a sua Independência:

"Foi uma grande emoção quando, ao lado da minha querida esposa e guerreira Tereza Cristina, contando com o profissionalismo e amizade de todas as horas de Valmir Amaral e todos da equipe técnica, ouvi em primeira mão a FM 90,9".

 
 

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