Esta semana, depois de passar alguns dias em Mato Grosso do Sul, decidi escrever o texto da coluna sob a forma de "composição", tal como fazia quando estudava na Escola Estadual "Gabriel Prestes", em Lorena, interior de São Paulo, no início dos anos 1980. Sempre que voltávamos das férias de janeiro e/ou julho, as professoras Nilza (2ª. Série), Odila (3ª. Série) e Célia (4ª. Série) pediam que escrevêssemos a tal "composição", cujo título era, invariavelmente "Minhas férias". Depois de estudar tanto e chegar ao pós-doutorado, não sei se ainda consigo escrever com a ingenuidade da criança que um dia eu fui, mas creio que uma tentativa nesse sentido é válida. Então, vamos lá:
MINHAS FÉRIAS
Nessas férias de fevereiro de 2015 decidi visitar amigos e parentes que vivem em Mato Grosso do Sul e de quem eu estava sentindo muitas saudades. Saí de Macapá no dia 31 de janeiro e depois de ter passado por Belém, capital do Pará, cheguei a Campo Grande na tarde do dia 02 de fevereiro. Como tinha algumas coisas para resolver na capital sul-mato-grossense, fiquei por dois dias entre a casa da minha avó materna, Facunda, e da minha tia-avó (ela não gosta que a chamem de tia-avó) Genara (que tem esse nome porque nasceu no dia de São Gennaro, 19 de setembro). Eu estava muito animado para visitar os Begossi, em Aquidauana, e para lá fui de ônibus (o velho Expresso Mato Grosso) no dia 04. Arnaldo, que foi meu professor na universidade, não estava muito bem de saúde e me pareceu mais amuado do que de costume. Eu não me aborreci com ele por estar tão desanimado, afinal me sentia contente por conviver com pessoas que eu amo, além de poder saborear a comida da minha (eterna) professora, Vilma Begossi. Depois de ficar mais de uma semana no "Portal do Pantanal", fui à Corumbá, acompanhado do meu amigo Jaime, onde comprei camisas, depois passei por Bodoquena, na esperança de reencontrar meus amigos índios Kadiwéu. Estava chovendo muito no final de semana em que estive na cidade e, por essa razão, praticamente não saí às ruas e nem encontrei muitos conhecidos. Apesar disso, foi muito bom rever dona Edir, gerente do Hotel Flórida e o senhor Nirço, motorista de caminhonete. Juntos comemos uma deliciosa "palga serrana", comida típica bodoquenense. Após dois dias de espera pelos índios que não apareceram, decidi ir à Jardim, visitar parentes (além do túmulo dos meus tios-avôs Gerônima e Emygdio) e depois fui até a fronteira, em Ponta Porã, no dia de Carnaval, a fim de comprar bandeiras para decorar a próxima festa paraguaia que vamos realizar em Guarulhos. Na volta para Campo Grande, a fim de retornar para minha casa no Amapá, passei por Nioaque e visitei os índios Atikum, com quem permaneci por três dias. O senhor Aliano e sua esposa, dona Luiza, me receberam com o carinho de sempre e juntos passamos dias agradáveis na aldeia Cabeceira, apesar das fortes chuvas. Antes de vir para Macapá, passei em São Paulo para deixar minha mãe, dona Gregoria, que viajara comigo até a casa de minha avó (cujo nome, estranho para alguns, remete a um herói do Paraguai, Facundo Machaín). Estas foram minhas férias.
FIM
Giovani José da Silva