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Giovani José da Silva

HISTÓRIAS DE ADMIRAR: MEIAS PALAVRAS

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O texto dessa semana me remete a uma série de situações enfrentadas no cotidiano, na convivência com amigos, parentes, alunos, professores, conhecidos, enfim, todos os tipos de gentes com quem me encontro e, de alguma maneira, me relaciono. Trata-se de como é difícil querer dizer algo, expressar sentimentos, “dar a cara a tapa” e, muitas vezes, para não dizer todas/ quase todas, não ser compreendido. Isso porque a vontade de expressar algo nem sempre está afinada com a capacidade e a competência de escrever ou falar bem! Muitos dizem que escrevo e falo com boa qualidade, mas tenho duvidado de tais habilidades, especialmente nos últimos tempos. Como dizer, por exemplo, a alguém que nos fere, nos machuca e, ainda por cima, tripudia de nossa dor, que está tudo bem, que você irá perdoá-lo e seguirá em frente de forma altiva? Tenho tentado fazer um exercício em meus textos e falas: o de me autocriticar e, ao mesmo tempo, buscar alternativas de comportamento para aquilo que me faz sofrer, sem necessariamente estar preocupado em agradar as pessoas. Afinal, fiz isso uma vida toda! Tornei-me um bom filho, um irmão preocupado e desprendido, um amigo que sabe ouvir os queixumes e dissabores dos Outros, um companheiro dedicado e atencioso. Só que muitas vezes a vontade que eu tive era de dizer “umas poucas e boas”, libertar-me do papel de “bonzinho” e “botar pra quebrar”. Quando o fiz, magoei a muitos, pois o destempero de minhas palavras, especialmente as que falei, feriu e machucou. Também já tripudiei sobre a dor dos outros, mas não quero fazer mais isso e, que eu me lembre, não tenho feito há algum tempo. Desconfio de quem se posiciona de maneira a fazer seu interlocutor entender que os problemas do mundo são de responsabilidade somente dos Outros, que a pessoa em questão “faz a parte dela” e que, por essa razão, não está envolvida até o pescoço nas mazelas que assolam a todos! A autocrítica, porém, não deveria ser feita apenas como um gesto de “veja como eu enxergo as coisas erradas que faço”: antes, deveria servir como parâmetro para que velhos erros não fossem mais cometidos e que houvesse a oportunidade/ possibilidade de se cometer novos. Sem meias palavras, lembro de uma canção da banda Legião Urbana, “Eu sei”, em que há um trecho em que o saudoso (para mim e para uma “legião” de fãs) Renato Russo cantava: “Um dia pretendo tentar descobrir/ Porque é mais forte quem sabe mentir/ Não quero lembrar que eu minto também”. Se eu já menti? Muitas vezes, mas não as mentiras que alguns me atribuíram ou tentaram atribuir-me! Se eu já traí? Sim, com certeza, traí a confiança de algumas pessoas, em benefício próprio especialmente, mas nunca traí meus amores e, tampouco, as pessoas que mais amo/ amei nessa vida. Pior é/ foi quando magoei, “pisei na bola”, machuquei, feri, sem a intenção de fazê-lo. Duro ver uma amizade de 20 ou 25 anos, por exemplo, terminar de maneira tão abrupta (e violenta para mim) por causa de um mal-entendido, entendido pelo Outro como ofensa, provocação, traição, mentira. Eu gostaria de só dizer palavras inteiras, de só ter gestos grandes e nobres, mas lamento, caros leitores: de minha boca e de minhas mãos, às vezes (corrigindo, muitas vezes) saem meias palavras incompreensíveis aos meus interlocutores. Procuro agir com a máxima lisura, com respeito e dignidade sempre, mas nem sempre dá certo! Perco a paciência, altero a minha voz, meu semblante se transforma, faço gestos que nem sempre sou capaz de recordar depois que os fiz (será que os fiz mesmo ou o Outro o interpretou de forma negativa?). Assim, minha vida segue, com meias palavras, meias ações que desejo, do fundo do coração (que clichê!) que sejam inteiras, íntegras e que levem aos Outros apenas o melhor de mim!

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