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Assassinato de Katiele Cordeiro choca região de Aquidauana e promove debate sobre feminicídio

Crime que ocorreu em uma fazenda no Pantanal teria sido motivado por ciumes

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O corpo de Katiele Cordeiro, comprimido num pequeno avião Cessna, para ser transportado até a cidade, depois do seu fim trágico, e os cenários do entorno do crime, praticado por José Carlos da Silva, fazem parte do conjunto de um assunto que só vem à tona, em cenários de pós tragédia: o feminicídio, definido pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito sobre Violência contra a Mulher como “a instância última de controle da mulher pelo homem; o controle da vida e da morte”.

E foi exatamente o que aconteceu. Para José Carlos, o ato de tirar a vida daquela que decidiu transferir-se para a longínqua fazenda "Fazendinha", por acreditar num sonho de amor, por mais que a possibilidade de dar certo, na ótica de alguns amigos e familiares fossem fosse temerosa, foi uma afirmação irrestrita de posse, igualando Katiele a um objeto. “Se você não pode ser minha, não será de outro”. Um tiro na cabeça, com o uso de um revólver calibre 357, pôs fim ao ciúme dele e a vida dela.

Nas redes sociais, foi o assunto dominante da segunda feira. Os milhares de acessos em O Pantaneiro e em outras mídias locais não foram motivados apenas pelo ato comum da curiosidade humana, mas também pelo desejo, de muitos, de se manifestar. Para Karine Souza, chama a atenção a disparidade de idade entre o assassino e a vítima: ela 27 anos, ele 60. “Não poderia dar certo”, escreveu Maria das Dores. Angélica Martins traduziu em uma palavra o sentimento de muitos: “covarde”, referindo-se a José Carlos.

Num cenário de filme, no centro do Pantanal, sem as comodidades de muitas coisas do cenário urbano, Katiele apostou num sonho, uma vez que uma das leitoras de O Pantaneiro, afirmando conhece-la, destacou que o desejo de seu coração era “unicamente ser feliz”. A imagem de um cavaleiro solitário, porém, buscando rotas perigosas, para fugir do encalço policial, define um "THE END" que a jovem mulher não esperava e a certeza de que o ato trágico de uma vida ceifada certamente foi precedido de outros eventos, tais como abusos verbais, físicos e psicológicos, ritos comuns que precedem o fatídico.

A vítima não desejou o fim de um relacionamento simplesmente por desejar. Sua morte é a prova cabal de que um velho padrão cultural de subordinação, aprendido ao longo de gerações, ainda se mantém. Em Aquidauana de vez em quando ele se manifesta. Como lembra Valdenice Peixoto: “Aquidauana está ficando famosa com esses casos”. Infelizmente!

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