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Memória 

Indígenas em Aquidauana celebram com festa a lembrança dos ensinamentos originários

Com um ministério específico, as expectativas se renovam para a comunidade

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O último censo realizado sobre os povos indígenas, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2010 apontava uma comunidade dos povos indígenas no Brasil, com cerca de 900 mil pessoas. Um número a ser atualizado após conclusão do censo 2022. 

O mesmo levantamento aponta que no Estado do no Mato Grosso do Sul, vive a segunda maior população indígena, no Brasil, num total de 73.295, (a primeira fica no Estado do Amazonas, com 168.680), sendo que parte desses se encontra no município de Aquidauana, MS. Uma região onde vivem pelo menos 10 aldeias (pode crescer para 14), e deve ser considerada o ‘Lar dos Terenas”, uma etnia predominante no município.   

Em Aquidauana, a etnia Terena está dividida nas aldeias, Colônia Nova, Água Branca, Ipegue, Bananal, Lagoinha, Morrinho, Imbirussu, Limão Verde, Córrego Seco e Buritizinho.

No dia 19 de abril, O Pantaneiro esteve visitando algumas dessas Aldeias no Estado durante as comemorações do dia dos povos indígenas. Na aldeia Água Branca, terra Taunay-Ipegue, onde vivem 800 aldeados divididos em 28 famílias, o Cacique Júlisson, falou sobre a importância da liderança na comunidade, pela manutenção de suas tradições, e boa convivência com a prefeitura do município, na reforma da escola da comunidade,

 “A gente tem buscado, temos colocado isso, pontuar isso para a comunidade o quanto é importante o papel de uma liderança dentro de uma comunidade. E hoje nós estamos vendo o resultado. A aldeia água Branca sendo contemplada com uma estrutura física bem adequada para recepcionar os nossos alunos, o anseio da comunidade, a importância principal é a educação. Todos os que sempre têm dialogado conosco, parceria com o município, com o prefeito Odilon, um parceiro nosso, aqui da água Branca. E hoje, nosso dia de poder mostrar para a sociedade a importância nossa como indígena, ocupando os espaços, sempre buscando colocar a nossa cultura, dar mais visibilidade ao mundo fora”.   

 

Preservar a cultura deixada pelos ancestrais

A importância da preservação da cultura indígena foi a observação feita pelo Cacique Otto Lara, da Colônia Nova, Taunay-Ipegue de etnia Terena, que há 16 anos, está na liderança da comunidade, “Hoje é o nosso dia, dos nossos irmãos indígenas, quero agradecer a presença da comitiva do prefeito, O Pantaneiro, que está aqui, fazendo essa matéria, isso é muito bom para nós. Nos divulgar. Prestigiar a nossa festa aqui, que é de longas as datas, que os nossos ancestrais deixou pra nós prolongar isso. Que nós viva sempre. Nós somos da etnia Terena, obrigado pela presença de vocês.”   

A importância pela conquista e permanência no território, é a mensagem que toda a comunidade aprende, como explica o cacique Ademir, da aldeia Ipegue, que conta com uma população de 1.400 pessoas divididas em 380 famílias

“Hoje é um dia muito especial. É um dia comemorativo onde a gente comemora em todo território brasileiro, o nosso dia. O povo indígena. Que sempre estamos aí lutando pelo nosso direito, principalmente pela questão do nosso território, que é importante. Porque a família tem crescido a cada dia mais. E a gente precisamos desse território. Que Deus abençoe”.     

O Pantaneiro ouviu os Caciques de quatro aldeais de Aquidauana - Fotos: Ronald Regis

O dia é de festa para celebrar a vitória, pela luta, e lembrar também do luto, pelos que deixaram os ensinamentos  

“É uma grande alegria poder receber toda equipe da prefeitura municipal de Aquidauana, dizer que esse momento é um momento muito importante para nós, um momento muito representativo. Um momento de celebrar as conquistas, as lutas e os lutos. É o encontro de várias emoções da comunidade terena. Recebemos agora pouco o prefeito e toda equipe, trazendo várias importantes informações. Quero dizer a todas as comunidades parabéns. Eu tenho certeza que não é só para a aldeia Bananal que o prefeito trouxe essas novidades, mas para todas as comunidades do município de Aquidauana. Eu estou muito feliz. Parabenizar do menor ao mais idoso indígena Terena, de Aquidauana, por esse dia e agradecer também a equipe do O Pantaneiro, que está aqui cobrindo essa festa tradicional, cobrindo o resultado positivo da nossa luta”. Explica com alegria o cacique Célio, da Aldeia Bananal, uma comunidade composta por duas mil pessoas e 375 famílias.  

  

A luta desses povos pela existência e permanência de sua cultura, ocorre de longa data, mas a partir de 1988 com a Assembleia Nacional Constituinte, a participação da Aliança dos Povos Indígenas, unidos a outros setores, possibilitaram a conquista de direitos importantes na Constituição Federal. De lá para cá, o Estado brasileiro passou a ser responsável por adotar políticas públicas para preservar as formas de organização social, línguas e costumes dos grupos indígenas. Além disso se tornou dever do Estado, demarcar as terras tradicionalmente ocupadas por comunidades indígenas em todo o território nacional.  

Recentemente uma nova conquista ocorreu para os povos indígenas no Brasil, a criação de um Ministério que trabalhe para tratar dos interesses de toda essa comunidade, trazendo novas expectativas e perspectivas. Uma pasta que tem a frente uma representante dos povos, Sônia Guajajara, do povo Guajajara/Tentehar, no Maranhão.

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