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Ajuda e solidariedade

Mãe luta contra câncer no colo do útero e filha contra leucemia ao mesmo tempo

Mãe e filha, que vieram de Ladário, enfrentam dupla batalha e precisam de doações

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Receber um diagnóstico de câncer já é bastante dolorido tanto para o paciente quanto para os seus familiares. Agora o que uma família oriunda de Ladário tem enfrentado nos dois últimos anos é uma batalha sem precedentes. Mãe e filha necessitam de toda a ajuda possível e da solidariedade neste caso que está comovendo a região.

Há cerca de dois anos, Raquel Bento Siye, de apenas 10 anos, descobriu um quadro de leucemia e desde então passa por tratamento. Mas o que Sônia Siye, de 44 anos, mãe da criança, e seus outros dois filhos [um rapaz de 17 anos e uma jovem de 22] não sabiam é que um ano depois a própria mãe também descobriria uma forma de câncer no colo do útero.

Começou a partir de então a luta em busca da cura da filha e agora da mãe da menina. A família se mudou para Anastácio e hoje mora no Jardim Independência, próximo à cunhada. De acordo com Erenice Bento Granci, a situação é bem difícil, sobretudo em relação à condição física de Sônia, que está muito debilitada.

“Há dias em que precisamos dar uma fruta à Sônia e não temos condições, pois recebemos uma vez ao mês. A gente faz compras, mas chega no meio do mês já acabou tudo. Ainda tem o agravante de que Sônia não se alimenta direito. Ela faz quimioterapia e só come uma fruta, não é de comer comida de sal e hoje está pesando apenas 44 quilos”, relata a cunhada.

Por conta disso, segundo a cunhada Erenice, o médico já alertou Sônia que se continuar com o peso abaixo do saudável, o tratamento poderá ser interrompido. “O médico disse que se ela não se alimentar direito, não conseguirá mais fazer as quimioterapias. E temos muito medo de que isso aconteça, ou da gente não ter mais condições de dar a ela os mantimentos que necessita”, desabafa.

Triste situação

A reportagem do jornal O Pantaneiro esteve na casa de Erenice, cunhada da paciente, que passa, junto à filha Raquel, o dia todo em sua casa. Sônia aluga uma casa por conta dos dois filhos mais velhos. Impossibilitada de ficarem sozinhas, mãe e filha recebem a assistência da cunhada. 

“Vivemos do salário do meu esposo e mais os 600 reais de Sônia que paga sua água, luz e aluguel. A sua filha mais velha, de 22 anos, não pode trabalhar porque acompanha a filha mais nova, a Raquel, que também está em tratamento”, descreve.

Erenice ainda conta que pessoas questionam o porquê de a filha mais velha não trabalhar para ajudar a arcar com as despesas da casa. “Tem gente que pergunta por que a filha mais velha não trabalha. Mas vai trabalhar de que jeito se ela precisa acompanhar a Raquel durante o tratamento e eu acompanho a mãe, Sônia, porque o médico já a proibiu de andar sozinha”.

A cunhada de Sônia ainda relata que mãe e filha ficam o dia todo em sua casa, e só retornam à casa alugada durante à noite “A casinha que ela alugou é coberta por Eternit, então é muito quente. Ela só vai lá à noite para dormir e não há como ficarem aqui, pois ela tem os outros dois filhos mais velhos que moram com ela.”

Doações

Erenice diz que a família precisa de frutas, leite, a mistura das refeições, carne, entre outros mantimentos. “Nós sempre compramos, mas é como eu digo, não é todo dia que vai ter, porque enfrentamos dificuldades”, explica.

A família de Sônia tem recebido amparo de quem conhece a sua história de luta. “Uma pessoa de Anastácio, que tem um coração muito bom, doou uma geladeira depois que a dela estragou e fizemos um apelo através do Facebook.”

Sônia, Raquel e seus irmãos também contaram com a solidariedade de pessoas de Campo Grande, Aquidauana e também moradores do Jardim Independência, de Anastácio. “Sônia recebeu doações de móveis e outras pessoas ajudaram a pagar a sua conta de água, que estava para cortar”, diz a cunhada.

Raquel, a menina que enfrenta leucemia, permanece sempre ao lado da mãe, que chora o tempo todo por conta das dores muito fortes nas pernas. “Não consigo ficar muito tempo em pé porque dói muito”, relata Sônia.

Assistência da Prefeitura

Erenice afirma que a família recebe atendimento de nutricionista, fisioterapia e psicólogo do município. “A assistente social só veio apenas uma vez aqui, logo quando Sônia chegou com a família. Eles ficam falando que vão vir, mas eles não vêm não. Por decisão judicial, conseguimos assegurar o recebimento de 8 latas de Nutrem (suplemento polivitamínico) ao mês, durante 6 meses pelo Estado e 6 meses pela Prefeitura de Anastácio”, declarou em entrevista ao jornal, gravada no último dia 25 de março (segunda).

Procurada pela reportagem do jornal O Pantaneiro, a secretária Municipal de Assistência Social de Anastácio, Cíntia Venâncio Fagundes, por sua vez, informou que uma assistente social da Prefeitura realizou uma visita à Sônia no dia 25 de março, ocasião em que a paciente teria relatado que estava passando por tratamento em Campo Grande e que estava residindo com a família na cidade havia quatro meses.

Segundo a titular da pasta, Sônia teria informado à servidora municipal que recebe pensão por morte do esposo, que já tentaram o benefício para a filha Raquel (que sofre de leucemia) mas havia sido negado, entretanto recebia ajuda com mantimentos, proveniente de pessoas e do próprio hospital onde faz o tratamento e que no momento não precisaria de ajuda para alimentação.

“A família foi orientada a acionar a Assistência Social em caso de necessidade e a realizar a atualização do CadÚnico, para tentarmos novamente o benefício para Raquel. Sônia disse que não necessitava da visita do técnico do Bolsa família, pois teria que ir ao banco e já passava no Bolsa (SIC). Deixei meu número com a Nice (Erenice, a cunhada) para que, assim que Sônia chegasse ao CRAS, me ligasse a fim de poder solicitar atendimento prioritário para ela. Nós nos colocamos à disposição para qualquer eventualidade”, informou Cíntia Venâncio Fagundes.

Solidariedade

Como o pedido das doações foi feito pela cunhada de Sônia, Erenice, a reportagem disponibiliza o contato da família. Para quem quiser ajudar Sônia e sua filha, Raquel, ambas em tratamento contra o câncer, o telefone é o 9653-8980.

A família mora na Rua Aquidauana, nº 58, Jardim Independência, em Anastácio.

*Matéria editada às 16h38 para acréscimo de informações.

Assista a reportagem abaixo:

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