dothCom Consultoria Digital
Publicado em 31/03/2009 às 08:26
Atualizado em 10/09/2026 às 13:54
A mobilização realizada conjuntamente entre a população e o Poder Público nas últimas semanas foi o fator determinante para a queda no registro de motociclistas vitimados pelo uso ilegal do cerol em Campo Grande.
A conscientização popular, por meio de campanhas educativas, a repressão policial e a atuação da Câmara Municipal de Campo Grande, com a implementação de diversas ações afirmativas foram os fatores importantes para inibir a prática desta "brincadeira" ilícita na Capital.
Apenas nos dois primeiros meses de 2009 quatro motociclistas foram feridos pela linha de pipa, contendo a mistura fatal de cola e vidro moído, e uma pessoa morreu vítima do cerol.
Os crescentes registros de casos envolvendo o uso do cerol já vinham preocupando o Poder Público, mas a repressão firme ocorreu após a morte do motociclista Valdir Rodrigues Cavalcante, 36 anos, no último dia 1º de março. A vítima foi degolada por uma linha de pipa na Rua Tirson de Almeida, no Conjunto Aero Rancho, próximo ao Hospital Rosa Pedrossian.
De acordo com o médico Eduardo Cury, coordenador do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), após a mobilização evidenciada nas ruas de Campo Grande, com campanhas educativas e repressão policial, não foram registrados novos casos de vítimas da linha de pipa com cerol. "Este é o caminho para inibir o registro de novos casos. Temos que fazer campanhas de prevenção, mas sempre acompanhadas de punição. Tem que ter essa conscientização na marra", alega Cury, que comemora a ausência de ocorrências envolvendo cerol.
A Câmara Municipal de Campo Grande contribuiu com esta redução no índice de motociclistas vitimados pelo uso ilegal do cerol, implementando diversas ações, como o lançamento da campanha com o tema: "Sua brincadeira pode virar tragédia - Diga Não ao uso do cerol", que distribuiu panfletos e espalhou outdoors pela cidade.
Assim como a aprovação do Projeto de Lei Complementar nº 171/07, de autoria do presidente da Casa de Leis, Vereador Paulo Siufi (PMDB), dispondo sobre a proibição da utilização de cerol ou qualquer outro tipo de material cortante nas linhas de pipas ou similares no âmbito de Campo Grande. O projeto foi incorporado na legislação municipal como a Lei Complementar nº 116/08. O tema também foi alvo de debates por parte de diversos vereadores, que fizeram uso da Tribuna para criticar o uso do cerol, alertando para os riscos da sua utilização em Campo Grande.
Campanha de sensibilização
A Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito), por meio do Departamento de Divisão da Educação, trabalhou juntamente com o Poder Legislativo Municipal na distribuição de panfletos explicativos para chamar a atenção da população sobre o uso incorreto do cerol em linhas de pipas ou papagaios.
A Chefe da Divisão de Educação da Agetran, Ivanise Rotta, apóia a ação do Poder Legislativo Municipal e assegura que a população tem consciência sobre a utilização do cerol, mas ainda falta sensibilização. "A educação, a fiscalização e a sanção devem caminhar juntas para que a lei possa ser cumprida, por isso apoio a iniciativa da Câmara Municipal de também realizar campanha sobre a utilização correta do uso do cerol", conclui Ivanise.
As linhas com cerol possuem uma enorme capacidade cortante causando lesões profundas que são potencialmente mortais quando alcançam a região do pescoço. Além disso, o cerol pode causar sérios problemas à rede elétrica. A mistura, em contato com cabos elétricos, pode provocar curto-circuito e descarga elétrica, além de possível rompimento do fio, interrompendo o fornecimento de energia. Se o cabo atingir uma pessoa, o acidente pode ter graves implicações.
Os acidentes com linha contendo cerol também tiveram reflexo no dia-a-dia dos motociclistas, já que muitos recorreram a colocação de uma antena especial no veículo para impedir o contato da linha de pipa com o motorista.
O proprietário da loja Moto Power, localizada na Avenida Júlio de Castilhos, Adilson Fernandes, registrou vendas elevadas do equipamento, nas semanas seguintes à morte de Valdir Cavalcante. "No começo de março, em apenas um dia instalamos 50 antenas. Agora a venda já acalmou e a procura diminuiu muito. Quem ficou preocupado com a questão já correu e colocou a antena no impulso, com medo de ser mais uma vítima", afirma o comerciante.
Vale ressaltar que na Ciptran (Companhia Independente de Policiamento de Trânsito), todas as motos são equipadas com antenas.
Repressão policial
Não há como negar o papel importante da repressão policial, por meio da Operação "Corta Cerol", deflagrada pela Polícia Civil de Campo Grande, que prendeu diversas pessoas envolvidas com o uso indevido do cerol. A Operação iniciou no dia 2 de março, logo após o registro da primeira morte envolvendo a "brincadeira".
Mais de 14 pessoas já foram presas, porque estavam soltando pipa contendo o material proibido ou estavam apenas portando o Iniciada no dia 02 de março, a Operação Corta Cerol da Polícia Civil já prendeu 14 pessoas que estavam soltando pipa e utilizando o material cortante na linha, o cerol. Alguns foram pegos quando preparavam a mistura de cola com vidro moído.
A operação "Corta Cerol" tem como objetivo orientar e repreender quem utiliza a mistura para soltar pipas. A prática pode ser classificada como crime, como lesão corporal dolosa (quando há intenção de ferir), tentativa de homicídio, ou ainda como homicídio doloso, quando há vítima fatal.
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