Constantes fugas de delegacias demonstram risco à segurança da população, afirma sindicato
A superlotação nas delegacias da Polícia Civil facilita a fuga de presos. De acordo com levantamento divulgado hoje (26), pelo Sindicato dos Policiais Civis de Mato Grosso do Sul (Sinpol-MS), revela que nove ocorrências deste tipo foram registradas nos primeiros quatro meses do ano. Municípios como Jardim, Nioaque, Miranda e Bonito sofrem com a falta de espaço para abrigar quem ainda espera por uma decisão da Justiça depois de ter sido detido pela polícia.
De acordo com o Sinpol-MS, as delegacias não contam com estrutura física adequada para permanência de presos, tampouco para a ressocialização destas pessoas. Segundo o sindicalista, outro fator preocupante é que os policiais civis estão desempenhando uma função para a qual não têm atribuição “A presença de presos nas delegacias deve ser transitória e não permanente como vêm ocorrendo. Esse desvio de função, além de ilegal, está consumindo os poucos recursos humanos existentes, prejudicando o verdadeiro trabalho do policial civil que é a investigação e elucidação de crimes”, enfatizou.
Segundo o presidente da entidade, o sindicato protocolou um ofício informando à calamitosa situação ao Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial (Gacep). “Solicitamos o apoio do Ministério Público Estadual para cessar o desvio de função dos policiais civis. Se necessário, usando os meios judiciais para determinar a retirada dos presos das delegacias após a audiência de custódia”, declarou Giancarlo.
O Sinpol-MS afirma ainda, em nota enviada à imprensa, que tem reivindicado a retirada dos presos das delegacias, “porém os gestores públicos anteriores não haviam se preocupado com o tema”. Após de um investigador que foi agredido por um preso na delegacia de Pedro Gomes, em 25 de novembro de 2015, os policiais civis se uniram para cobrar a resolução deste problema. À época, o governo do Estado, juntamente com a Secretaria de Segurança Pública, prometeu à categoria que retiraria os presos das delegacias até o ano de 2018.
Desde então, divulgou o Sinpol-MS, a Sejusp elaborou um planejamento para que algumas unidades do Estado fossem assumidas pela Agência Penitenciária, transformando-as em cadeias públicas. “Quase um ano e meio se passou e ao invés de melhorar a situação, em várias localidades percebeu-se a piora, mesmo com a transferência de alguns presos para unidades prisionais. Primeiramente é preciso atender os direitos dos policiais civis de terem condições adequadas de trabalho, e posteriormente o direito do preso”, afirma o presidente.
Veja os casos mais recentes de fugas em delegacias, divulgadas pelo sindicato:
12/01/17 – presos da DP de Água Clara fazem rebelião devido a superlotação. O local tem capacidade total para quatro presos, porém abrigava 11. Eles jogaram os colchões para fora da cela e atearam fogo.
07/02/17 – 3 presos fugiram da Depac Centro em Campo Grande.
13/02/17 – presos fazem rebelião na DP de Chapadão do Sul devido a superlotação.
19/02/17 – 03 presos fugiram da DP de Fátima do Sul ao serrarem duas barras de ferro do solário da unidade.
26/02/17 – 7 presos tentaram fugir da DP de Itaporã serrando as grades, porém a ação foi percebida e impedida pelos policiais civis.
22/03/17 – presos foram flagrados tentando fugir da DP de Água Clara cavando uma passagem no teto da cela.
26/03/17 – 11 presos fugiram da DP de Brasilândia após rederem o policial civil que estava de plantão, roubando sua pistola e veículo, que posteriormente foram recuperadas.
29/03/17 – os policiais civis da DP de Ponta Porã descobriram que os presos planejavam uma fuga em massa através de um buraco que estava sendo escavado na parede da cela da unidade.
09/04/17 – os policiais civis da DP de Ponta Porã abortaram a segunda tentativa de fuga de presos na unidade, que estavam escavando novamente a parede da cela.
Audiência de custódia
Decisão foi tomada nesta quinta-feira, durante audiência de custódia em Aquidauana; Ministério Público havia pedido a conversão da prisão em preventiva
Greve nacional
Paralisação dos funcionários começou nesta quinta-feira e segue por tempo indeterminado; clientes podem recorrer a canais digitais, caixas eletrônicos e lotéricas
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