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Violência doméstica

Advogado de suspeita de assassinar ex-marido dá versão obscura do relacionamento

Ela se apresentou na Delegacia de Polícia Civil de Aquidauana na tarde da última terça-feira (05)

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O advogado Juliano Quelho Ribeiro, responsável, juntamente com André Bueno Guimarães, pela defesa de Dirleia Patrícia Monteiro Paes, de 39 anos, suspeita de matar o ex-marido, o empresário Ivan Júnior Marquezan da Cunha, em Campo Grande, na última sexta-feira (1º), deu ao jornal O Pantaneiro uma versão obscura do relacionamento do ex-casal.

De acordo com as informações cedidas à nossa equipe de reportagem pelo advogado de defesa, "a história retrata o drama de uma mulher em depressão, em tratamento e sob medicação porque conviveu maritalmente, por quase 15 anos, tendo um filho excepcional em comum de 10 anos com um homem de péssima reputação, ligado à pessoas perigosas, que sempre se disse influente em todos os meios". 

Ainda conforme Juliano, os anos de casamento foram torturantes. "Durante esses anos todos ela sofreu todas as formas de violência física (espancada inúmeras vezes), emocional, psicológica, sexual e patrimonial - tudo reconhecido por inúmeros áudios, testemunhas, documentos e vários boletins de ocorrência", pontuou.

O homem assassinado, aparentemente, não admitia a separação e, constantemente, era agressivo. "No dia dos fatos, depois de descobrir que ela estava mantendo clínica de reabilitação e estética às escondidas, em busca da independência financeira para se separar e custear o tratamento de R$ 6,5 mil por mês do filho excepcional, eles entraram em briga corporal na casa após bebedeira dele em um bar. Ela se refugiou em uma sala e ele conseguiu abrir a porta truculentamente portando um 'tacacá', que é um tacape indígena decorativo da casa. Com esse tacacá, ele disse que cometeria um estupro anal no quarto como uma lição por querer largar dele", explicou.


O que parece mais uma história de terror, continuou. "Ele disse que se ela não fosse obediente na satisfação sexual dele, ele quebraria a perna dela 'de novo'. Ao soltar o tacacá para abrir a calça, a fim de que ela 'beijasse o Zézinho' dele, ela pegou o objeto e bateu na cabeça dele, antes que o mesmo cometesse o estupro 'prometido'. Em pânico, pensando apenas no filho, buscou resguardar-se, pegando no escritório a chave dos carros e documentos para sua defesa", disse, finalizando a versão dos fatos explanada pela vítima.

O advogado pontuou que ela responde pelo crime em liberdade.

Caso

O empresário Ivan Junior Marchezan da Cunha, de 55 anos, morreu depois de ser atingido por uma paulada na cabeça. O ferimento, em princípio, foi causado por um taco de beisebol, na madrugada de sexta-feira (1º).

A ex-mulher foi apontada como a principal suspeita de matar o empresário em casa, segundo afirmou o delegado Valmir Moura Fé, responsável pelas investigações.

O crime só foi descoberto pela polícia no início da tarde da mesma sexta-feira, depois que policiais acompanhados da filha do casal foram até a residência, na Rua Vicente Solari, na Vila Bandeirantes. Ivan estava sobre uma cama, já sem vida, quando foi encontrado. Segundo o delegado, na casa há vários sinais de luta corporal, como vidros quebrados. 

Dirleia se apresentou na tarde da última terça-feira (5), em Aquidauana, quatro dias após o crime, e confessou ter cometido o assassinato. Ela chegou na unidade policial acompanhada de seus advogados. 

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