Réus são julgados nesta quinta-feira (15), 11 anos após o crime de aborto que resultou na morte da jovem
Karina Aguilar
Publicado em 15/09/2022 às 17:14
Atualizado em 10/09/2026 às 14:19
Durante o depoimento em julgamento, Hugleice da Silva, 39 anos, cunhado que levou Marielly Barbosa Rodrigues, de 19 anos, para fazer um aborto que terminou em sua morte, em maio de 2011, disse que não era pai do bebê que a vítima esperava e culpou o enfermeiro Jodimar Ximenes Gomes, de 51 anos, pelo crime, afirmando que apenas levou a jovem, mas não participou ativamente do abordo.
Hugleice também negou que tinha relacionamento extraconjugal com a cunhada. Nas falas, ele relembra o crime cometido no dia 20 de maio de 2011, em Sidrolândia.
De acordo com informações do Jornal Midiamax, o então cunhado disse que levou a jovem até a casa de Jodimar e que levaria 40 minutos no procedimento, e que seria sem riscos.
“Passou meia hora, ele me chamou. Veio muito rápido na minha direção. Quando entrei na casa ela já estava sem vida”, afirmou no depoimento. Hugleice lembra que viu Marielly ensanguentada, já sem pulsação, sem respirar. “Fiquei desesperado, não sabia o que fazer, quem procurar”, relatou.
Em sua versão, o enfermeiro que teria orientado em retirar o corpo da casa para às margens da rodovia. Ela foi colocada na carroceria da caminhonete de Hugleice até o local, onde foi encontrada em estado de decomposição, três semanas após o aborto malsucedido. “Ela não divulgou quem seria o pai. Quando fiquei preso recebi várias ameaças de todo presídio. Nego que seja o pai. Nunca tive envolvimento dessa forma com minha cunhada”.
Ele ainda relatou que participou ativamente ajudando a vítima a abortar porque era muito ligado a ela.
Negando a paternidade, ele relatou que levou a vítima até a tentativa de aborto para ajudá-la. Afirmando que ficou consternado pela morte e não sabia o que fazer, não confessando o crime por medo da reação da família e da esposa, irmã de Marielly.
Versões contraditórias
Já o enfermeiro Jodimar reafirmou que não conhecia Marielly, que nunca a viu e não praticou o aborto. Desde que foi considerado culpado e preso pelo crime, Jodimar não confessou a participação, negando ter feito o procedimento ilegal que resultou na morte da menina.
Ele disse ao júri que não conhecia Hugleice, quem teria organizado a tentativa de retirar o bebê. Ainda segundo o Midiamax, sobre o material apreendido na casa do então enfermeiro, como macas, pinças cirúrgicas e outros equipamentos, ele afirmou que trabalhava como manicure e por isso tinha aquele tipo de aparelhagem.
Ele ainda não soube dizer sobre as marcas de sangue encontradas em sua casa.
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