Polícia
Seis vítimas foram resgatadas e investigação aponta violação grave de direitos humanos em propriedade de grupo agropecuário milionário
A Delegacia de Polícia Civil de Brasilândia prendeu em flagrante, nesta terça-feira, 19 de agosto, dois gerentes de uma fazenda pertencente a um grupo agropecuário de grande porte, após a constatação de que trabalhadores eram mantidos em condições análogas à escravidão. Durante a operação, também foram apreendidas duas caminhonetes utilizadas na propriedade.
A ação teve início a partir de investigações que indicavam a exploração de pessoas em situação de vulnerabilidade social. A equipe policial se deslocou até a fazenda, localizada a cerca de 35 km da zona urbana de Brasilândia, onde encontrou trabalhadores alojados em currais e depósitos precários, sem condições mínimas de higiene, sem acesso a transporte, expostos a jornadas exaustivas de segunda a sábado, com mais de nove horas de trabalho diárias e salários incompatíveis com a atividade exercida.
Segundo relatos colhidos no local, alguns trabalhadores percorriam longas distâncias a pé até a cidade em busca de atendimento médico, devido à omissão de suporte por parte da fazenda. Outros relataram que adquiriam produtos de alimentação e higiene pessoal diretamente de aliciadores, tendo os valores descontados em seus salários. Também foi constatado que não recebiam sequer cobertores para se proteger do frio.
Durante a operação, os policiais identificaram que cinco trabalhadores haviam sido retirados do local momentos antes da chegada da equipe, numa tentativa clara de ocultar provas e dificultar a fiscalização. Eles foram localizados posteriormente em uma praça pública no centro da cidade.
Ao todo, seis vítimas foram resgatadas, vindas de outros estados, todas submetidas a condições degradantes e de total desrespeito aos direitos humanos e trabalhistas. Imagens, vídeos e laudo pericial confirmaram o cenário de exploração.
Os dois gerentes foram presos em flagrante e permanecem à disposição da Justiça, aguardando audiência de custódia. A Justiça Federal foi comunicada sobre o caso. As vítimas foram acolhidas pelo CREAS, que forneceu abrigo, alimentação e acompanhamento social.
O delegado Rafael Montovani, responsável pela operação, afirmou que as investigações continuam para responsabilizar todos os envolvidos e identificar outras possíveis vítimas na região.
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