dothCom Consultoria Digital
Publicado em 03/12/2007 às 09:56
Atualizado em 10/09/2026 às 13:53
Numa votação extremamente apertada, a população venezuelana rejeitou a reforma constitucional proposta pelo presidente Hugo Chávez no referendo realizado neste domingo (2). O Conselho Nacional Eleitoral anunciou os resultados mais de 8 horas depois do fechamento das seções eleitorais.
Com 88% dos votos apurados, o "Sim" de Chávez tinha 49,29% contra 50,7% para o "Não". Mesmo faltando cerca de 10% dos votos serem apurados, segundo o conselho, a tendência já era irreversível e o "Não" de fato havia vencido a eleição. A oposição comemorou a vitória e pediu reconciliação no país.
Derrota reconhecida
Imediatamente depois, o presidente foi à TV anunciar e reconhecer o resultado. "Final de fotografia", disse, se referindo à mínima diferença pela qual o "Não" venceu o "Sim".
"Agradeço aos que compatriotas que votaram pelas minhas propostas e também aos que votaram contra elas, pois deram uma grande demonstração de democracia", disse o presidente.
"Estamos orgulhosos do que fizemos, das nossas posições, do respeito às opiniões diferentes", disse, ressaltando que a democracia na Venezuela está mais forte de que nunca.
"Reconhecemos a decisão que foi tomada pelo povo, mas devemos reconhecer que foi uma decisão muito apertada. Respeitamos esta constituição (a atual), respeitamos o povo, respeitamos nosso coração", disse Chávez
Segundo o presidente, a demora na divulgação nos dados se deu porque ele achava que a sociedade não merecia a tensão da contagem dos votos e, por isso, preferiu só divulgar os número depois que a vantagem do "Não" era irreversível.
"Espero que não haja nenhuma dúvida de que reconhecemos a derrota. Isso nos traz lições e a principal delas, para os setores da oposição, é que se dêem conta de que é possível e este é o caminho", disse, em relação à conquista do poder pela democracia e recomendando que a oposição deixe de lado os supostos golpes que Chávez diz haver contra ele.
A reforma
Apresentada pelo presidente Hugo Chávez, a reforma constitucional propunha a alteração de 69 dos 350 artigos da Carta Magna do país, incluindo questões importantes, como o termo do mandato presidencial (que continua sendo de 6 anos) e das reeleições, que continuam limitadas a dois mandatos (uma reeleição).
"Esta proposta é uma proposta profunda, bastante integral, uma equação de poder, intensa. Bolívar disse quando apresentou o projeto de constituição da Bolívia: 'apresento este código a meus concidadãos. Se a maioria nao aceitar, deixo-o para a prosperidade.' Repito Bolívar, mas não penso numa prosperidade de cem anos. O fato de 49% da população ter votado por um projeto socialista é um grande salto político. Seguimos na batalha para construir o socialismo. Aceito que na proposta haja idéias muito audaciosas, sem precedentes. Esta proposta segue viva, não esta morta.", afirmou Chávez.
"Um dos grandes méritos deste referendo é que a oposição reconheceu a atual Constituição, de 99, depois de oito anos, e chegou a ir às ruas para defendê-la.", disse.
O resultado contradisse pesquisas de boca-de-urna citadas pela agência Reuters, que davam conta de uma vitória do "Sim" por pelo menos 6 pontos percentuais.
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