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Política

Como aliados são rivais, Lula não fará campanha em MS

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A rivalidade entre o PMDB, o PDT e o PT pode afastar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva da campanha eleitoral em Mato Grosso do Sul. Lula declarou, na reunião ministerial do início da semana passada, que só irá aos municípios onde os partidos da base aliada não forem adversários.


Em Campo Grande, porém, os aliados ao presidente são grandes rivais. De um lado está o PMDB, lutando para manter a hegemonia de 20 anos administrando a maior cidade de Mato Grosso do Sul. O PT, enfraquecido, pretende entrar na disputa com candidatura própria ou aliado ao PDT para ajudar a derrubar o rival da prefeitura. Não será uma missão fácil.


O PDT, que quer alguém do PT como vice, está dividido entre manter a parceria com o prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad (PMDB), ou entrar na corrida pela prefeitura. O maior entusiasta da candidatura do PDT é o próprio pré-candidato do partido, deputado federal Dagoberto Nogueira. Ele está usando todas as armas para entrar na briga e tirar a cadeira de Nelsinho.


Os petistas admitem que não será fácil impedir a reeleição do prefeito. Ele é o franco favorito, além de contar com apoio do governador André Puccinelli (PMDB). Nem quando estava no governo, o PT teve força para derrubar o PMDB em Campo Grande, e não será agora, debilitado e fora do poder, que o partido vai conseguir ganhar a eleição. É o que pensa um influente petista.


Mas quando se discute a hipótese de aliança dos dois partidos na Capital, as conversações não avançam. Nem o fato de o PMDB de Mato Grosso do Sul ser aliado ao PT no governo federal abre caminho para acordo em Campo Grande. "Não há conversa", comentou dias atrás o presidente da Assembléia Legislativa, Jerson Domingos (PMDB), que não vê clima para aliança dos dois partidos.


O prefeito Nelsinho Trad nem vai tentar acordo com o PT. Ele avalia que o eleitor não vai entender uma aliança do PMDB com o seu principal rival. "Não há como explicar esta aliança", disse o prefeito. Já o governador não vê problema nenhum em formalizar a coligação do PT com o PMDB em Campo Grande. Mas sabe muito bem que não será fácil convencer as lideranças de ambas as partes a deixarem as diferenças de lado para se juntarem nas eleições municipais na Capital.


Com o Dagoberto insistindo em ser candidato, fica ainda mais difícil fechar a equação e a presença de Lula em palanques na Capital é improvável. Outro agravante é o fato de o PSDB, que é da oposição ao presidente, estar tentando manter na Capital aliança com o PMDB, aliado a Lula no plano nacional.


Cenário
Levantamento feito pela Agência Estado mostra que se Lula cumprir sua intenção de visitar 20 estados nos próximos meses para mostrar serviço e ajudar os candidatos a prefeito da base aliada, cedo descobrirá que essas visitas não serão muito pacíficas.


Das 16 principais capitais do País, a base aliada está rachada em 14. Nas outras duas, o PT está unido a seu maior adversário, o PSDB. Apenas em São Paulo a disputa será de governo (PT) contra oposição (PSDB/DEM).

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