dothCom Consultoria Digital
Publicado em 25/03/2008 às 08:04
Atualizado em 10/09/2026 às 13:53
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou, na segunda-feira, que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) tenha cunho eleitoreiro, como chegou a insinuar o presidente do Tribunal Superior Eleitoral e ministro da Suprema Corte, Marco Aurélio de Mello. Após enumerar algumas das conquistas atribuídas às ações do governo, o presidente rebateu as insinuações que relacionam a iniciativa e a proximidade das eleições.
- Ora, é no mínimo uma coisa que me deixa indignado. Ou seja, o governo não está disputando nenhuma eleição. Não tem eleição para presidente da República e não tem eleição para governador. O programa é um programa que o governo federal anunciou com dois anos de antecedência e esse dinheiro agora está gerando aquilo que nós queríamos que ele gerasse: emprego e melhoria na vida das pessoas - afirmou em seu programa semanal de rádio Café com o Presidente.
A distribuição da verba do PAC, garante Lula, não privilegia administrações de partidos da base aliada do governo.
- Quando vamos a uma cidade, eu não quero saber se o prefeito é candidato à reeleição, se o prefeito é do PFL, se o prefeito é do PT ou do PSDB. Ou seja, eu quero saber que ele tem uma obra importante para ser feita, sobretudo quando se trata de urbanização de favela e saneamento básico - disse.
No início do mês, o presidente fez declaração semelhante. Durante lançamento de obras do PAC na periferia do Rio de Janeiro, Lula afirmou que o programa foi implantado em momento oportuno porque seu mandato termina em 2010 e ele não pode disputar a reeleição.
Balanço do governo após um ano do programa apontou que 87% das metas propostas apresentavam andamento adequado. Representantes da sociedade, no entanto, apontaram falhas no PAC. Em nota, a direção da Central Única dos Trabalhadores (CUT) reclamou de "deficiências graves" nas iniciativas. Já a Confederação Nacional da Indústria (CNI) publicou texto em que o primeiro ano do programa foi considerado insuficiente para modernizar a infra-estrutura do país.
Cenário econômico
Ainda no seu programa semanal de rádio, o presidente avaliou que a diversidade de países importadores dos produtos brasileiros indica que um agravamento no cenário econômico internacional pode ter menos efeitos no mercado interno. Lula afirmou, entretanto, que apesar da relativa tranqüilidade, o momento é de cautela.
- Até agora não há indícios de que esta crise pode causar problema ao Brasil. Bem, se houver uma crise profunda nos Estados Unidos, uma recessão, aí vai causar problemas em todos os países do mundo. A diferença é que como o Brasil diversificou a sua pauta de exportação, você pode ter menos problemas do que outros países que dependem dos Estados Unidos ou da União Européia - avaliou.
Lula mencionou ainda o crescimento do país e a autonomia do sistema financeiro em relação à volatilidade de títulos dos Estados Unidos como aspectos que podem garantir que o Brasil siga imune à crise:
- A crise não chegou no Brasil e nós trabalhamos com a hipótese de que a crise não vai chegar no Brasil, por algumas razões. Primeiro, porque o sistema financeiro brasileiro não está envolvido nos títulos imobiliários americanos. Segundo, porque o Brasil está com a sua economia sólida e sustentada muito no seu crescimento interno e, depois, numa política de exportação muito forte.
Apesar da avaliação favorável, segundo o presidente, o contexto econômico requer precaução.
- Há poucos dias, lançamos algumas medidas anunciadas pelo ministro [da Fazenda] Guido Mantega para ver se melhora a situação do câmbio e para ver se incentiva ainda mais as nossas exportações. Mas,de qualquer forma, nós estamos cautelosos - concluiu.
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