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Política

Governo mantém maioria em CPI no Senado

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A euforia da oposição para instalar uma CPI dos Cartões exclusiva do Senado tem limites. Levantamento da secretaria-geral da Casa mostra que o governo terá maioria considerável caso essa comissão seja realmente criada. Num cenário mais otimista para a oposição, o governo terá sete votos a quatro. Isso ocorrerá, porém, somente se o PDT indicar um senador considerado independente.


Caso contrário, a base aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá formar uma maioria de oito a três dentro dessa comissão, proporção semelhante à da CPI mista, onde o Palácio do Planalto tem atropelado seus adversários com 16 votos contra oito. Ou seja, não há qualquer garantia de que uma investigação composta exclusivamente por senadores sobre o uso dos cartões corporativos será bem-sucedida.


Mesmo sem muitas perspectivas de sucesso, a oposição quer que o presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), leia hoje em plenário o requerimento que cria a CPI na Casa. O peemedebista se comprometeu a fazer a leitura à tarde, mas torce por um acordo em reunião com os líderes partidários antes disso.


A oposição sabe que não tem muito para onde correr com a disposição governista de impedir a investigação. Mas joga as fichas numa CPI do Senado em cima de algumas apostas. A principal é a de que não será fácil para o governo passar o rolo compressor numa comissão formada somente por senadores.


DEM e PSDB torcem para que seja mantida a tradição de que os senadores são mais resistentes do que os deputados a uma orientação do Palácio do Planalto. Os adversários do governo avaliam que alguns senadores tendem a seguir a própria convicção na votação de requerimentos. Citam como exemplos Renato Casagrande (PSB-ES) e Eduardo Suplicy (PT-SP). O problema é que não há nenhuma sinalização de que eles serão indicados pelos seus partidos para integrar essa CPI.


Ciente disso, o líder do DEM, José Agripino (RN), mantém a pressão. "Tudo dependerá do perfil de quem será indicado. Vamos saber se o governo vai insistir na truculência de fazer o papel ridículo perante a sociedade", afirmou. Caso Garibaldi confirme a criação dessa CPI, a estratégia governista é protelar ao máximo a indicação de seus membros.


Enquanto isso, a desacreditada comissão mista tenta navegar contra a corrente. Dois depoimentos estão marcados para hoje: o do ministro-chefe do Gabinete Institucional, Jorge Armando Félix, e do ministro dos Esportes, Orlando Silva. A fala de Félix é a mais aguardada pelos parlamentares. Ele será interrogado sobre os gastos sigilosos da Presidência da República com o cartão corporativo.


Essas informações têm sido a principal polêmica da CPI. O governo resiste a abrir esses dados. Para a oposição, o depoimento de Félix poderá delinear e esclarecer o que é que está sob segredo. Já Orlando Silva foi alvo de denúncias de uso irregular do cartão corporativo. Ele já devolveu R$ 30 mil que teriam sido utilizados de forma indevida.

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