Política
dothCom Consultoria Digital
Publicado em 09/05/2008 às 08:22
Atualizado em 10/09/2026 às 13:54
A revelação de que o secretário de Controle Interno da Casa Civil, José Aparecido Nunes Pires, é o principal suspeito de ter propiciado o vazamento do dossiê sobre gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deu novo alento à CPI dos Cartões - que depois do depoimento da ministra Dilma Rousseff era dada como moribunda por seus próprios integrantes. A oposição já se mobiliza para tentar convocar José Aparecido para depor. "Vou reapresentar o requerimento de convocação dele. Ele tem de explicar quem participou da elaboração do dossiê", afirmou o deputado Vic Pires (DEM-PA), integrante da comissão. A Polícia Federal disse que vai convocá-lo para depor sobre o caso.
Aparecido é funcionário de carreira do Tribunal de Contas da União (TCU) e foi levado para a Casa Civil pelo ex-titular da pasta, José Dirceu. No dia 11 do mês passado, reportagem do Estado intitulada "Vazamento de dossiê contra FHC abre guerra dentro da Casa Civil" mostrou que havia ali uma disputa entre o grupo de Dirceu e de Dilma. Uma troca de e-mails entre Aparecido e um funcionário do gabinete do Senador Álvaro Dias (PSDB-PR) foi o elemento-chave para rastrear o caminho dos documentos com os gastos do ex-presidente.
Pires também apresentará um requerimento propondo a prorrogação dos trabalhos da CPI até que o inquérito da Polícia Federal que investiga o dossiê seja concluído. Ele disse que já iniciou articulações para tentar provocar uma reunião da comissão na terça-feira a fim de apreciar os requerimentos. Para ele, o vazamento do dossiê seria parte de uma briga palaciana interna. "Ele (José Aparecido) é ligado ao José Dirceu. Acredito que vazou o dossiê para atingir a ministra Dilma Rousseff", diz. Agora, a oposição pretende retomar a investigação da cadeia de comando por trás do dossiê, saber que autoridade ordenou a montagem da planilha com gastos de Fernando Henrique e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso.
O "fato novo" era o que o presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), colocava como condição para continuidade dos trabalhos. "Se não houver nenhum fato novo, nós diríamos que a CPI pode marchar para sua conclusão", dizia Garibaldi, antes da identificação do suposto responsável pelo vazamento do dossiê. Àquela altura nem DEM nem PSDB mostravam ânimo para manter a ofensiva. "Para entrar em uma CPI a gente tem de saber o que quer investigar", argumentava o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), observando que a comissão trouxe "desgaste para o Congresso". Setores do DEM também avaliavam que o depoimento de Dilma tinha sepultado a comissão.
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