dothCom Consultoria Digital
Publicado em 29/05/2008 às 14:14
Atualizado em 10/09/2026 às 13:54
O governador André Puccinelli (PMDB) disse que a posição geográfica do Estado, fronteira com Bolívia e Paraguai, foi empecilho para Mato Grosso do Sul ter a certificação de área livre de febre aftosa com vacinação na última reunião da Organização Mundial de Saúde Animal. Segundo o governador, faltaram informações que serão complementadas e há garantia de que em julho o Estado deve recuperar o status sanitário. Puccinelli comemora, no entanto, contatos com investidores na Europa e Japão, destacando as perspectivas de expansão industrial nas áreas de papel e celulose, mineração e produção de etanol.
A certificação da carne foi um dos assuntos abordados pelo governador em coletiva de imprensa no Aeroporto Internacional de Campo Grande nesta quinta-feira, ao desembarcar da viagem de duas semanas na Europa e Japão. Em relação ao problema das restrição da comunidade européia à carne de Mato Grosso do Sul, o governador disse que nas reuniões em Paris ficou saliente a preocupação com a fiscalização. Nesse ponto, "não vamos afrouxar". O governador disse que a Polícia Militar Ambiental vai constar no relatório de ações do governo. Mas a fiscalização nos rios também terá que superar barreiras diplomáticas.
Expansão industrial
O governador fez balanço positivo dessa incursão junto aos investidores europeus e grandes corporações japonesas. André Puccinelli disse que Mato Grosso do Sul terá um grande desenvolvimento na área industrial. "Poderemos ter mais uma fábrica de celulose aqui, como a Votorantin Celulose e Papel (VCP), lá em Três Lagoas. Talvez, a Portugal Celulose ou a Nipon Paper, empresa japonesa tão grande quanto à VCP", destacou o governador.
Puccinelli disse que no setor metal-mecânico e metalúrgico, os empresários de Vigo, na Espanha, podem vir aqui porque sabem que temos minas de minério de ferro. O setor da madeira, não tenho dúvidas, que tomará um impulso muito grande porque todo mundo quer ter celulose e papel no mundo já que o consumo está aumentando muito", disse.
O governador disse que a viagem foi positiva e resultará em missões comerciais e industriais desses países, que virão ao Estado para verificar as condições que foram apresentadas durante a visita. "Em médio prazo, poderemos ter de retorno o estabelecimento de indústrias ou de intercâmbio comercial entre Mato Grosso do Sul com Portugal, Espanha e Japão", avaliou.
No caso da Portugal Celulose, conforme o governador, a disputa está entre o Estado e o sul da Bahia, por causa do clima. Também em Portugal, a comitiva estabeleceu contato com a empresa aérea TAP, que acenou com a possibilidade de vôos para o Nordeste e para o Pantanal.
Japão
No Japão, o governador também estabeleceu contato com a Mitsubishi e com a Toyota. Na Toyota, a diretoria determinou da empresa determinou que Mato Grosso do Sul seja incluído no estudo preliminar para a instalação de uma fábrica no Brasil.
Segundo o governador, será marcada uma reunião com a filial da Toyota, em São Paulo, para o Estado entre na concorrência com Bahia, Rio de Janeiro, Amazonas, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. "Agora, ficaram cientes do nosso interesse e deram autonomia para a filial do Brasil definir. O que os outros estados derem de benefício, nós vamos dar", conta.
Já no setor sucroalcooleiro, Puccinelli vê a possibilidade da entrada do etanol produzido no Estado com a compra de uma refinaria no Japão pela Petrobras, em abril. "O etanol produzido a partir do milho, beterraba e arroz não compete com o de Mato Grosso do Sul, a partir da cana-de-açúcar", avalia. Segundo o governador, o Japão está utilizando o e-3, ou seja, a mistura obrigatória de 3% de etanol ao combustível dos veículos. "E agora, querem o e-10", observou.
O governador viajou para a Europa acompanhado da secretária de Desenvolvimento Agrário, da Produção, da Indústria, do Comércio e do Turismo, Tereza Cristina Correa, representantes do Sebrae, Famasul, do setor do comércio e industrial de Mato Grosso do Sul, além dos deputados estaduais Mochi Júnior (PMDB), Akira Otsubo (PMDB) e Márcio Fernandes (PSDB).
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