Autor do projeto de lei que iguala o horário de Mato Grosso do Sul com o de São Paulo, o senador Delcídio do Amaral (PT) defende a alteração como forma de integração com estados vizinhos que tem "comércio muito forte".
Nesta manhã, ele falou sobre o assunto à rádio FM Educativa. Disse que tem "gente querendo politizar o debate" e deixou claro que não vê dificuldades em se aprovar o projeto do senador Valter Pereira (PMDB) que propõe a realização de um plebiscito sobre o assunto.
"Precisamos tomar cuidado com isso, plebiscito só deve ser realizado em casos excepcionais. Acho até que esta proposta vai ter dificuldade em passar no Congresso", salientou o senador.
Na tarde de ontem, a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado aprovou a proposta do senador Valter Pereira que ainda deverá enfrentar o plenário.
O projeto não estabelece data para a realização da consulta popular, porém garante que a mudança de horário só ocorrerá se houver aprovação da sociedade local.
Delcídio não vê motivos para polêmica em torno do assunto. "A Costa Leste de Mato Grosso do Sul já cumpre horário de São Paulo. Tem gente querendo politizar o debate", opina.
O senador afirma que o Estado só teria "algum tipo de problema" com a mudança de horário no interno em razão da falta de sintonia com o nascer do sol. "Isso seria só em julho quando nem as escolas funcionam", analisa.
Tendo relatado o projeto que modificou o horário do estado do Acre, Delcídio afirma ter acumulado conhecimento sobre o assunto.
Ele citou pesquisa da Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul), segundo a qual, conforme o senador, 60% das pessoas entrevistadas aprovam a mudança e outras 20% responderam que "tanto faz".
Delcídio divide a autoria do projeto com um colega de Parlamento, o senador democrata Júlio Campos, do Mato Grosso.
Enersul
Na mesma entrevista, o senador comentou a venda da Enersul para o Grupo Rede Energias. "Lamentável, é mais uma peça pregada pela Enersul contra nós (...) Esta empresa é totalmente alheia a realidade de Mato Grosso do Sul", criticou.
O senador lembrou a CPI da Enersul que funcionou no ano passado na Assembléia Legislativa. "A CPI expôs outra faceta muito ruim que o inflamento das tarifas praticadas (...) Vamos reagir", disse.
"Existia uma série de compromissos da EDP [Energias de Portugal, dona da Enersul] com o nosso projeto de desenvolvimento e de uma hora para outra a gente fica sabendo que a Enersul foi trocada por ativos da Usina Lageado como se já não bastassem todas as pisadas de bola", completou.