dothCom Consultoria Digital
Publicado em 11/08/2008 às 09:40
Atualizado em 10/09/2026 às 13:54
A Rússia rejeitou a última proposta de cessar-fogo feita pela Geórgia para pôr fim ao conflito envolvendo os dois países na segunda-feira, afirmando que sequer consideraria um documento pedindo uma trégua no momento atual.
"Segundo informações de forças de paz na Ossétia do Sul, a Geórgia continua a usar força militar e, com isso, não podemos considerar esse documento", disse um porta-voz do Kremlin a jornalistas.
A declaração vem depois de o presidente georgiano, Mikheil Saakashvili assinar um documento em Tbilisi, capital da Geórgia, oferecendo um cessar-fogo unilateral na presença dos ministros de Exteriores da França, Bernard Kouchner, e Finlândia, Alexander Stubb.
EUA
Os Estados Unidos estão tentando perturbar as operações mililtares russas na Geórgia usando seus aviões para transportar as tropas georgianas do Iraque para as zonas em conflito, denunciou nesta segunda-feira o primeiro-ministro russo Vladimir Putin.
"É uma lástima que alguns de nossos aliados não nos ajudem e tentem, inclusive, nos perturbar, e com isso me refiro principalmente ao deslocamento do contingente militar da Geórgia no Iraque para a zona de conflito (oseta) pelos Estados Unidos e seus aviões de transporte militar", declarou Putin.
O presidente americano, George W.Bush criticou a ofensiva militar russa na Ossétia do Sul. Em entrevista ao canal de televisão NBC, Bush citou uma conversa que teve com o premiê russo, Vladimir Putin, na qual teria dito que a resposta russa na Geórgia foi "desproporcional".
Civis
Segundo Saakashvili, 90% das baixas do país no conflito com a Rússia na Ossétia do Sul é de civis. "Nossas perdas são principalmente civis. Noventa por cento das nossas baixas é de civis", disse Saakashvili a repórteres em entrevista coletiva.
Ele disse que tanques russos foram afastados cinco quilômetros da cidade georgiana de Gori, que fica a cerca de 50 quilômetros da capital da Ossétia do Sul, Tshkinvali. "Eles estavam a cinco quilômetros de Gori. Eles foram repelidos e agora estão a 20 quilômetros", disse.
Conflito
A Geórgia lançou um cerco à Ossétia do Sul na última quinta-feira (7), enviando tanques para a região separatista, em tentativa de retomar o controle do local. Na sexta-feira (8), tropas georgianas bombardearam a região, considerada um enclave pró-Rússia, em uma ampliação de um conflito que já perdura desde o início dos anos 90. Em resposta, a Rússia tem bombardeado a Geórgia. O confronto já deixou cerca de 40 mil refugiados, de acordo com a Cruz Vermelha.
Com 3.900 km², a Ossétia do Sul, região separatista da Geórgia, localizada no leste europeu, está em conflito com o governo georgiano desde o fim de 1990. A disputa começou quando a região se autoproclamou "república soviética", mas o parlamento da Geórgia, que estava se separando da URSS, decretou a dissolução da região autônoma. Desde então, sucessivos conflitos e tentativas de acordo marcam a disputa pela região.
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, viaja amanhã à capital russa, onde deve abordar a situação com o chefe de Estado russo, Dmitri Medvedev.
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