dothCom Consultoria Digital
Publicado em 23/09/2008 às 08:08
Atualizado em 10/09/2026 às 13:54
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu na noite desta segunda-feira, em Nova York, o prêmio IPS (Inter Press Service) Internacional 2008, entregue a personalidades engajadas em prol dos direitos humanos e justiça social no mundo. Durante a cerimônia de entrega do prêmio, ocorrida na sede das Nações Unidas, Lula criticou a imprensa "pautada exclusivamente pela lógica empresarial" e de que "não há sinais de que a crise financeira global chegou ao Brasil".
"Eu senti a sensação de estar recebendo a medalha de ouro de uma Olimpíada", comemorou o presidente ao receber a condecoração, levantando-a como se fosse uma taça conquistada após um campeonato mundial de futebol.
Durante discurso, um pouco lido e outro tanto improvisado, Lula disse que não se "importa se a imprensa fala mal ou fala bem", pois "eu confio cegamente na inteligência do povo e tenho consciência que o povo consegue distinguir a verdade da mentira. Ele sente nos olhos de quem está falando na TV e na voz de quem está falando na rádio e percebe nas palavras dos jornais o que é verdade o que não é verdade", afirmou, em referência à campanha eleitoral.
"A disseminação da notícia não pode ser pautada exclusivamente pelo interesse da lógica empresarial. A liberdade de imprensa é uma garantia contra os desmandos do poder e eu sou o resultado da democracia e da liberdade de imprensa. Nunca teria chegado à Presidência da República do meu país e não seria o que sou se não fosse a democracia", disse.
Segundo Lula, "o povo é um juiz sábio e soberano e tenho a convicção de que a sociedade sabe separar o joio do trigo e a verdade é que vai sobrar". O presidente afirmou ainda à comunidade internacional que possui "liberdade para lidar e conviver com a imprensa no Brasil", pois tem "a convicção de que o grande formador de opinião pública hoje é o povo".
Crise
Para Lula, o presidente norte-americano George W. Bush "tomou as medidas certas" para conter a crise de crédito nos Estados Unidos, mas que "não é justo que o Brasil pague algum sacrifício por conta de um problema que não foi causado por nenhum brasileiro, nenhum banco brasileiro e nenhuma imobiliária brasileira".
O presidente acredita que a crise ainda não chegou ao Brasil e que, se chegar, medidas serão tomadas.
"Estamos acompanhando e até agora não há sinais de que a crise tenha chegado ao Brasil e que vai chegar ao Brasil. Obviamente temos preocupação com a crise americana e, se tiver algum problema, vamos fomentar o mercado externo e procurar novos parceiros", afirmou.
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