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Política

Verticalização: Um novo cenário político se desenha em MS

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A classe política sul-mato-grossense já se precaver diante um novo cenário que se desenha em Mato Grosso do Sul em 2010. Com a verticalização das alianças partidárias, o PMDB, maior legenda nas duas esferas administrativas - federal e estadual -  pode perder um importante aliado, o PSDB, um partido que há anos segue a mesma trilha em sucessivos pleitos eleitorais.


Em contrapartida, os peemedebistas podem ganhar um aliado de peso, o PT, que, apesar de fragilizado em âmbito regional depois que deixou o Parque dos Poderes , pode ser o fiel da balança na caminhada do governador André Puccinelli (PMDB) rumo à reeleição, por causa do grande poder de influência do Palácio do Planalto.


Isso só deve ocorrer, portanto, se PMDB e PT consolidarem durante a campanha eleitoral o desejado pacto político que vem sendo costurado pelos corredores do Congresso Nacional e do Planalto. Dono de cinco importantes ministérios, o PMDB pode apoiar a candidatura da ministra chefe da Casa Civil, Dilma Houssef (PT), ou então caminhar com as próprias pernas, hipótese considerada difícil diante da falta de uma liderança de abrangência nacional.


No plano estadual, o próprio governador André Puccinelli dá motivos desse acordo, uma vez que na corrida pelas cadeiras do Senado, cogita apoiar as candidaturas do deputado federal Waldemir Moka (PMDB) e o projeto de reeleição do senador Delcídio do Amaral (PT), o qual enfrentou nas eleições para o governo.


Verticalização é um processo político recente, surgido em 1998, no qual os partidos políticos ficam obrigados a reproduzir nas eleições estaduais as mesmas alianças partidárias que tiverem feito na eleição presidencial. Isto ocorre devido a um entendimento do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sobre o artigo 6º da Lei Federal 9.504 de 30 de setembro de 1997, que versa sobre as normas para as eleições.


Esse mecanismo impede que partidos adversários na eleição à Presidência se aliem nos Estados. Por exemplo: se apoiar Lula, o PMDB não poderá se aliar ao PSDB em nenhum Estado. Nem ao DEM, que deverá comporá a chapa à Presidência com os tucanos.


A prova maior do iminente divórcio entre PMDB e PSDB é que os principais líderes tucanos em Mato Grosso do Sul decidiram unificar os discursos e fecharam questão em torno da disputa pelo governo do Estado em 2010, condicionando permanecer unidos ao PMDB somente caso os aliados não apóiem o projeto político do presidente Lula, que deseja fazer seu sucessor.


Se isso ocorrer, portanto, o rompimento será inevitável, já que a saída para os tucanos será indicar um candidato alternativo à candidatura à reeleição de André Puccinelli (PMDB).


Essa posição, que já vem sendo defendida obrigatoriamente há vários meses pela cúpula tucana devido à verticalização das alianças partidárias, foi reafirmada no último dia 16 durante reunião do partido, em Campo Grande.


Durante a reunião, os tucanos fizeram uma avaliação sobre a atual conjuntura política, a atuação do partido nas eleições, as possibilidades de alianças para 2010 e como esperam que os filiados auxiliem na preparação do grupo visando os próximos projetos.


O presidente da executiva regional e deputado estadual Reinaldo Azambuja, voltou a lembrar que o PSDB tem como meta se manter unido ao PMDB.  No entanto, advertiu, durante o encontro, que o grupo tem de se preparar para o grande desafio que é voltar a postular o governo do Estado.


Nas duas vezes que tentaram o Parque dos Poderes, os tucanos saíram derrotados - uma com Ricardo Bacha, em 98, e a outra com Marisa Serrano, em 2002, ambas para Zeca do PT. 


Azambuja observa que existe a possibilidade de uma aliança nacional do PMDB com o PT, o que impossibilitaria de o PSDB permanecer no arco de aliança do partido liderado por André Puccinelli.  Até porque, assegura o dirigente, o PSDB trabalha também para ter candidato próprio à Presidência da República, cujas alternativas são os governadores José Serra (São Paulo) e Aécio Neves (Minas Gerais).


Diante do rompimento iminente com o PMDB, a cúpula tucana acredita em outro projeto do qual já sinalizam em marchar juntos DEM e PPS. 


Considerando a ótima atuação dos tucanos nos municípios sul-mato-grossenses, Azambuja comentou a aliança já consagrada entre as três legendas e disse ser provável que junto com estes partidos, o PSDB alce vôos mais altos no próximo pleito.


Amor eterno
Apesar dessa tendência, os principais expoentes do partido adotam a cautela na hora de expor o projeto de candidatura própria à imprensa.


A senadora Marisa Serrano prefere fazer uma leitura sobre as movimentações em nível nacional, destacando que em conversa recente com os governadores José Serra e Aécio Neves, garantiu-lhes que em Mato Grosso do Sul, depois de esgotadas as possibilidades de aliança com o PMDB, qualquer um que se viabilizar candidato a presidência terá palanque.


Como nada está decidido e ainda há tempo para articulações políticas, várias correntes partidárias ainda nutrem esperança de fechar seus projetos com chave de ouro. Do contrário, o eleitorado vai ter de engolir velhos e ferrenhos adversários se abraçando, jurando amor eterno em palanques que jamais imaginavam subir.

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