dothCom Consultoria Digital
Publicado em 29/12/2008 às 09:59
Atualizado em 10/09/2026 às 13:54
A afirmação do Secretário Municipal de Planejamento, Ronaldo Ângelo, de que "o aterro sanitário de Aquidauana foi uma das mais importantes obras realizadas na administração do prefeito Felipe Orro", pode não significar um elogio. A obra, da forma como está sendo deixada, tem sérios problemas na opinião de especialistas em questões ambientais, confirmando desconfianças do futuro governante do município, Fauzi Suleiman.
Segundo análise do professor Ricardo Gentil, doutor em engenharia ambiental e professor de biologia da UFMS, existem vários problemas na concepção atual do projeto. Cita como exemplos a falta de análise do líquido resultante dos resíduos, na terceira célula; a ausência de controle na quantidade de lixo, a drenagem insuficiente e a mistura de resíduos sólidos urbanos e de saúde numa mesma célula.
Outro grave problema verificado nos últimos meses tem sido a inversão da disposição das células, o que descaracteriza o projeto original. Finalmente, outra exigência estabelecida em lei, que é a coleta seletiva na fonte geradora, também não saiu do papel. Por estas e outras razões, Ricardo Gentil entende que o prefeito eleito de Aquidauana já começa seu mandato com um grande problema para resolver.
Problema menor
Na opinião de alguns especialistas que atuam em Aquidauana, o problema do aterro sanitário, contudo, é apenas um capítulo de um outro ainda maior que Fauzi Suleiman terá que enfrentar, de forma corajosa, que é repensar o Plano Diretor do município. "Se levar em conta o que existe, o novo prefeito não governa", observa um destes profissionais, que faz parte de um grupo seleto onde atua, entre outros, a bióloga Maria Helena, que coordenou as discussões do Plano Diretor de Corumbá. Para dimensionar o tamanho do problema da estrutura da cidade, estudo recente indica que não existe em Aquidauana regulamentação do uso e ocupação do solo urbano, que é uma das etapas de um Plano Diretor.
Fauzi estava certo
Voltando no tempo o professor Ricardo Gentil lembra que essas discussões começaram a ganhar forma na administração de Raul Freixes. Sobre o problema do "antigo lixão" no Bairro Santa Terezinha, Raul argumentou que era preciso resolvê-lo. Felipe Orro, que o sucedeu, foi enfático: "Eu resolvo!". Fauzi, na época estreante na política, invocou a importância de estudos aprofundados sobre o problema. Decorridos mais de três anos de sua construção e com os problemas hoje verificados, pode se dizer que o novo governante de Aquidauana estava certo.
Soluções
Como Fauzi Suleiman tem insistido em observar que seu governo estabelecerá parcerias com as Universidades, Gentil observa que há uma expectativa otimista. No caso do lixo, por exemplo, lembra que a Universidade pode ser parceira num projeto de coleta seletiva, divulgando e desenvolvendo ações na área da educação ambiental. Com a previsão de dias difíceis esta somatória de esforços pode definir soluções.
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