dothCom Consultoria Digital
Publicado em 09/01/2009 às 11:12
Atualizado em 10/09/2026 às 13:54
PMDB e PT enfrentam o mesmo dilema na definição de candidatos ao Senado em 2010. O senador Valter Pereira (PMDB) quer a reeleição e diz que há espaço para a candidatura do deputado federal Waldemir Moka. No PT o senador Delcídio Amaral também quer a reeleição e teria que disputar a indicação com o ex-governador Zeca do PT.
Na última vez que a disputa de duas vagas teve quatro candidatos, o resultado acabou beneficiando o PMDB. Ramez Tebet e Juvêncio da Fonseca se elegeram e Ary Rigo e Levy Dias, representantes do antigo PFL e do PP, perderam a vaga que estava praticamente garantida.
Ontem, em entrevista durante cerimônia de entrega de equipamentos inservíveis do Ministério Público Estadual para reaproveitamento no governo, o governador André Puccinelli descartou a estratégia de pulverização de votos. Segundo ele, Moka e Pereira vão ter que se entender para que o PMDB concorra com apenas um candidato.
"Não vou interferir, mas ou será Waldemir Moka ou Valter Pereira. Ou vai um ou o outro, eles terão que se entender", aconselhou Puccinelli.
Depois de defender duas candidaturas, na quarta-feira, quando esteve na Assomasul para acompanhar a eleição do filho Beto Pereira, o senador desconversou e disse que o assunto seria tratado em momento oportuno. Moka, que reivindica a indicação, acha contraproducente lançar dois candidatos, até pela circunstância que prevê a formação de aliança. Se houver dois candidatos uma vaga deve ser entregue a aliado.
Em entrevista anterior, Valter Pereira afirmou que vai disputar a reeleição e defendeu dois candidatos do PMDB, por entender que são duas vagas. "Quem vai decidir é a convenção. Tendo duas vagas, pode haver dois candidatos", analisou. Qualquer que for a solução, PMDB também pode ter dois adversários na corrida ao Senado - Delcídio Amaral, que quer a reeleição, e o ex-governador Zeca do PT, que faz dessa candidatura um "cavalo de batalha" no seu partido.
De qualquer modo, não sendo aceito como candidato, Delcídio pode buscar outra legenda para ser candidato. Essa é a hipótese que leva PMDB a analisar a possibilidade de uma aliança na disputa por uma das duas vagas ao Senado.
Alianças
Sobre a política de alianças para 2010, André Puccinelli não esconde a vantagem de ser cortejado pelo PT e pelo PSDB. E vai usar essa condição de eleitor privilegiado como moeda de troca para costurar o leque de alianças para sua reeleição.
Segundo Puccinelli, o PMDB pode se aliar com o PT ou com o PSDB. Seu apoio vai depender daquilo que for oferecido a ele. Em outras palavras, vai leiloar seu alinhamento na corrida presidencial. "Vou chamar o José Serra e perguntar para ele o que vai me dar. Com a fada madrinha farei o mesmo. Olha que, por enquanto, eu estou apaixonado pela fada madrinha", declarou Puccinelli, numa referência à ministra-chefe da Casa Civil Dilma Roussef.
A preferência de Puccinelli por eventual candidatura da ministra Dilma Roussef à sucessão do presidente Lula leva em conta as obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). O governador sabe que rejeitar acordos agora pode inviabilizar investimentos que vão lastrear sua candidatura à reeleição. Aliado ao PSDB o PMDB corre o risco de se desgastar a troco de nada.
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