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Política

Oposição pressiona candidatos ao comando do Senado e ameaça com novo nome na disputa

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A oposição quer ganhar espaço na disputa pela presidência do Senado e pressiona os dois candidatos --o atual presidente da Casa, Garibaldi Alves (PMDB-RN) e Tião Viana (PT-AC)-- a atenderem reivindicações para evitar um nome oposicionista na corrida. As negociações envolvem cargos na Mesa e até promessas de interferência na composição das comissões da Casa.


Lideranças dos dois partidos avaliam que o cenário ainda está bastante indefinido com a possibilidade de o ex-presidente da República e do Senado José Sarney (PDMB-AP) ser escolhido como candidato de consenso.


Sarney está sendo convencido pelo Palácio do Planalto e por líderes do Senado a apresentar sua candidatura. As duas bancadas, que somam 26 votos, só devem definir de que lado devem ficar às vésperas da votação, marcada para o dia 2 de fevereiro.


No PSDB, a divisão é mais clara entre os 13 parlamentares. Há setores tucanos articulando com os dois candidatos. O líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), afirma que o partido não tem pressa e que pretende avaliar o impacto das duas candidaturas para a atuação da oposição no Senado.


"Vamos esperar uma posição mais clara de quem está na disputa para fecharmos uma posição. Agora, temos nossos critérios e exigimos especialmente independência do Executivo. Não podemos ter no comando do Senado alguém que servia aos anseios do Planalto. Não vamos aceitar o amordaçamento da oposição", disse o tucano.


Virgílio reconhece que senadores serão influenciados pelos governadores tucanos, especialmente José Serra (São Paulo) e Aécio Neves (Minas Gerais). Serra estaria trabalhando nos bastidores para convencer senadores do PSDB a votar no petista. "Essa consulta é natural", afirmou.


Para o líder tucano, se até o final do mês Garibaldi e Tião não apresentarem uma plataforma mais clara de campanha, os partidos de oposição podem apresentar um nome para concorrer ao comando do Senado.


"Vamos analisar as propostas dos dois candidatos. Vamos ver como as campanhas se desenvolvem. Se não estivermos satisfeitos com o programa deles para o país, para o Parlamento, analisamos a viabilidade de lançar o nosso candidato", afirmou Virgílio.


Os democratas são mais cautelosos em relação a um nome oposicionista na batalha. O líder do DEM, José Agripino Maia (RN), disse que tal posição poderia trazer um desgaste desnecessário para o Senado e que esta alternativa só seria discutida se não houver entendimento com os candidatos.


Apesar de tradicionais adversários regionais, Agripino afirma que seu voto será em Garibaldi. Para o líder, se a disputa permanecer com os atuais candidatos, a tendência do DEM é liberar o voto da bancada.


"O ideal seria que tivéssemos consenso, mas não vamos criar uma batalha interna. É importante que cada senador vote de acordo com o que acredita ser melhor para o Senado", disse Agripino.

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