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PMDB agora exigirá assento permanente em fórum do governo

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Pouco mais de um mês e meio depois de conquistar o comando do Congresso, o PMDB vai exigir agora assento permanente na coordenação de governo, fórum de ministros que se reúne quase todas as segundas-feiras com o presidente Lula para definir a condução política e econômica do Planalto.


A nova ofensiva --o PMDB possui seis ministérios e diversos cargos federais-- foi decidida em jantar na casa do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), que terminou na madrugada de ontem.


Além de Temer, estavam presentes o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), três dos seis ministros peemedebistas e líderes da legenda no Congresso, como o senador Renan Calheiros (AL). No encontro, houve apoio à decisão de Temer de reinterpretar o artigo constitucional que hoje dá prioridade, na tramitação do Congresso, às medidas provisórias. Segundo relatos, a cúpula do PMDB assumirá a ideia como "bandeira irreversível".


O ministro Nelson Jobim (Defesa), que já presidiu o STF (Supremo Tribunal Federal), teria elogiado a atitude de Temer, afirmando que ela é benéfica ao país e ao Legislativo.


A oposição (DEM, PSDB e PPS) ingressou ontem no STF com mandado de segurança contra a medida, argumentando que ela é inconstitucional. Reservadamente, integrantes do PT fizeram críticas, argumentando que deveriam ter sido consultados e que a medida dá muito poder ao PMDB.


Em visita ao Congresso, o ministro José Múcio (Relações Institucionais) também manifestou descontentamento. "É uma mudança muito grande sobre um tema que prevalece há anos. É necessário um debate mais aprofundado, vejo isso com preocupação".


A interpretação de Temer retira poder do governo (que edita as MPs) e abre espaço para priorizar a votação de outros projetos. O líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), se reuniria ainda na noite de ontem com Lula para tratar do assunto.


A reivindicação de assento na coordenação do governo Lula surgiu quando Jobim defendia, no jantar, uma maior unidade entre ações de ministros e congressistas peemedebistas.


"Essa é a reunião onde nascem as ideias. É um espaço muito importante para que o PMDB possa contribuir mais com o governo", afirmou Henrique Eduardo Alves (RN), líder do partido na Câmara. "O que todos dissemos [no jantar] é que o PMDB precisa conversar mais politicamente com o governo. Não adianta só ter ministros, a presidência do Congresso, e não ter esse diálogo", reforçou Romero Jucá (RR), líder do governo no Senado.


Hoje a coordenação de governo de Lula conta com a participação fixa de dez integrantes, sendo seis do PT, um do PRB, um do PTB e dois sem partido. Os nomes para ocupar a "cadeira peemedebista" na coordenação são os de Jobim e de Geddel Vieira Lima (Integração Nacional).


Ainda segundo os relatos, Jobim afirmou que os congressistas têm que assumir a defesa das principais demandas dos ministros do partido. "A ideia é converter a atuação do ministro em atuação de partido", disse Eliseu Padilha, presidente da Fundação Ulysses Guimarães.

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