dothCom Consultoria Digital
Publicado em 19/08/2009 às 09:29
Atualizado em 10/09/2026 às 13:54
A oposição está disposta a pedir a convocação da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado para apresentar sua versão sobre o encontro que teria ocorrido no ano passado, em seu gabinete, com a ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira.
Depois de ouvir a ex-secretária por mais de três horas, senadores da oposição afirmaram que agora Dilma precisa apresentar publicamente a sua versão dos fatos --uma vez que Lina confirmou que a ministra lhe pediu para agilizar as investigações sobre familiares do senador José Sarney (PMDB-AP) no âmbito da Receita.
"Se a ministra rebater a versão da ex-secretária, vai ser oferecida a oportunidade dela vir aqui. Se ela não vier, vai ficar a versão da Lina para o país", disse o líder do DEM, José Agripino Maia (RN).
A oposição ainda não apresentou requerimento com o pedido de convocação de Dilma na CCJ. A estratégia do DEM e do PSDB será esperar a ministra comentar publicamente o depoimento da ex-secretária antes de pedir formalmente a sua convocação. Os oposicionistas defendem acareação de Dilma com Lina, mas sabem que não têm apoio suficiente para aprová-la na CPI da Petrobras --uma vez que acareações só podem ser realizadas em Comissões Parlamentares de Inquérito.
"A CCJ não pode fazer acareação, mas se a CPI pedir, juridicamente é possível. Ainda não existe requerimento com o pedido de convocação da ministra, se aparecer, eu coloco em votação", disse o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que preside a CCJ do Senado.
O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) disse que o partido vai esperar Dilma se manifestar sobre as declarações de Lina Vieira antes de apresentar o requerimento com o pedido de convocação da ministra. "Vamos ver a repercussão do depoimento para avaliar com o partido. Na CPI está difícil de aprovar os requerimentos", afirmou.
Governistas
A base aliada do governo, por sua vez, não vê necessidade de Dilma comparecer ao Senado para explicar sua versão do encontro com Lina --que a ministra nega ter ocorrido. O senador Renato Casagrande (PSB-ES) considerou como "frágil" o fato de Lina Vieira não ter conseguido mostrar aos senadores o dia em que teria se encontrado com Dilma, no final de 2008.
"O que me estranhou é que não houve capacidade dela comprovar o dia da reunião. Esse foi o ponto frágil do seu depoimento. Também achei estranho o diálogo que ela teria travado com a ministra, já que não perguntou nenhum detalhe para a Dilma sobre as investigações", disse Casagrande.
O senador Wellington Salgado (PMDB-MG) disse estar convencido, após o depoimento de Lina Vieira, que o encontro da ex-secretária com Dilma não ocorreu. "Eu não posso julgar nem entender as mulheres. Mas eu tenho certeza que esse encontro não aconteceu", disse.
Os governistas deixaram a sessão convencidos de que Lina Vieira não apresentou provas suficientes para comprovar que se encontrou com a ministra no final do ano passado em seu gabinete na Casa Civil.
A oposição, por sua vez, disse que a ex-secretária apresentou elementos suficientes para mostrar que a Dilma faltou com a verdade ao negar o encontro. "Eu acho que ela foi bastante convincente, me pareceu consistente. Acho que falou a verdade", disse Demóstenes.
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