dothCom Consultoria Digital
Publicado em 18/09/2009 às 09:51
Atualizado em 10/09/2026 às 13:54
A estratégia da base de sustentação política do governador André Puccinelli (PMDB) é votar o quanto antes o projeto do ZEE-MS (Zoneamento Ecológico Econômico) de Mato Grosso do Sul e em seguida percorrer comissão por comissão do Congresso Nacional em busca de barrar o ZAE (Zoneamento Agroecológico) da cana-de-açúcar apresentado ontem pelo governo federal.
"Vamos ao Congresso esclarecer que já temos um zoneamento baseado em estudos científicos que libera o uso do local sem atingir o meio ambiente", explicou o deputado estadual Júnior Mochi (PMDB). Ontem, ao apresentar o ZAE da cana, o ministro do Meio Ambiente Carlos Minc disse que o projeto deve ser votado até o mês de abril de 2010. Até, os deputados já querem ter finalizado a votação do zoneamento estadual. Por enquanto, o governo só enviou a primeira etapa do zoneamento, são três. Na mensagem do governo consta um ante-projeto que altera lei aprovada em fevereiro de 1982 para permitir a instalação de usinas na região conhecida como BHAP (Bacia Hidrográfica do Alto Paraguai), no entorno do Pantanal.
Esta região, concentra rios que correm para o Pantanal. O governo federal quer vedar implantação de usinas ou lavouras de cana no local. Ontem, o governador André Puccinelli (PMDB) criticou a medida e chegou a chorar por causa dela. Disse que Mato Grosso e Mato Grosso do Sul estavam sendo entregues ao capital internacional para que o País conquiste o chamado selo verde que abre as portas do mercado externo para o etanol brasileiro.
Acusado de colocar em risco a produção de alimentos e de patrocinar a devastação da floresta ao incentivar o plantio da matéria-prima do etanol, o Brasil usará o "ZAE Cana" para rebater críticas e "esverdear" o etanol. "O argumento da situação externa foi decisivo", disse o ministro Carlos Minc, ao jornal Valor Econômico em resposta a questionamento sobre o que teria feito para emplacar o zoneamento no governo federal.
Com esta justificativa, Minc venceu o colega Reinhold Stephanes (Agricultura) que defendia a expansão da cana na BAP, mas cedeu. "A discussão central era em que medida poderíamos ceder a pressões de grupos e dos governadores. Não podíamos entrar na bacia do Pantanal e precisávamos garantir zero de vinhoto (resíduos da cana)", disse ainda na entrevista ao jornal o Valor. Mas, para os deputados aliados a André Puccinelli, o governo federal está tentando limpar a imagem brasileira deixando a conta para Mato Grosso e Mato Grosso do Sul pagarem, pois a economia destes locais é que ficará engessada.
O deputado estadual Marquinhos Trad (PMDB) cita que o governo levou quase dois anos para fazer o estudo que culminou no ZEE-MS, "Foram ouvidas mais de 90 entidades ambientais. Além disso, o governo está estabelecendo uma faixa de proteção entre a planície pantaneira e o Alto Taquari [onde será liberada a instalação de usinas]", mencionou.
Agora, por determinação do governador, os deputados estaduais farão audiências públicas regionais para debater o zoneamento. Conforme Júnior Mochi serão realizadas audiências em São Gabriel D´Oeste, Pedro Gomes, Rio Verde, Bandeirantes, Jardim, Sidrolândia e Maracaju.
Já a oposição ao governador afirma querer cautela com a proposta. O deputado estadual Paulo Duarte (PT) explicou que discorda da abertura da BHAP para receber tais empreendimentos e que vai verificar o posicionamento de entidades que o governo cita como colaboradas da proposta.
Zoneamento
O coordenador geral do estudo que originou o ZEE-MS, Sérgio Seiko Yonamine, disse que a extensão territorial de MS é de 37,7 milhões de hectares, das quais 18,7 milhões de hectares situam-se na área conhecida como Alto Paraguai.
E o plantio da cana nessa área, disse Yonamine, seria permitido em cerca de 1 milhão de hectare. Ele argumenta que o ZEE-MS é um projeto amplo que levou em consideração as condições de solo, clima e outras características do Estado e trata de todas as culturas. Já o ZAE, para ele, se restringe à cana não leva em conta "razões técnicas", mas apenas ideológicas
Mas Minc, pelas declarações que freqüentemente dá à imprensa, não se incomoda com os percalços que pode estar causando a Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. "Se fosse permitido plantar no Pantanal, não seria em favor deles (MT e MS). Seria algo contra o etanol do Brasil", afirmou Minc.
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